domingo, 18 de abril de 2010

a lição

- ´Tá quieto, Edgar, não me enfies o bico no ouvido, que isso faz cócegas!
- É para te limpar essa cera, para ver se começas a ouvir melhor a voz da tua consciência!
- Obrigado, Edgar, mas eu oiço muito bem. Vá, pára com isso!
- Envergonhas-me, Quim Zé!
- Ora essa, porquê?
- Prometeste aos teus amigos que lhes pagavas umas cervejas no dia teu aniversário e não cumpriste. Tens 41 anos, Quim Zé! Está na altura de seres responsável e não fazeres promessas falsas!
- Eles a mim também nunca me pagaram nada!
- MAS TAMBÉM NUNCA TE PROMETERAM NADA!
- AAAAAIII, ‘tas-me a enfiar o bico na trompa de eustáquio! Isso dói, porra!
- Anda, maricon, vai buscar a carteira e chama os teus amigos para lhes pagares uma rodada.
- Pago o caraças, é que pago!
- Vou-te contar uma história, para ver se acordas, Quim Zé: quando eu era jovem, um caçador apanhou-me, cortou-me as guias das asas e atou-me a uma árvore da sua horta à beira da estrada, onde me manteve preso durante um ano. O cão dele prometeu libertar-me. Mas, entretanto, apareceu uma cadela que lhe deu a volta ao miolo e ele partiu com ela, desprezando a promessa que me fizera.
- As cadelas são todas assim! Só servem para desvairar o parceiro e corrompê-lo...
- Não brinques, Quim Zé! O cão não soube honrar a sua palavra e, se não fosse o facto de, naquele dia, teres estampado o camião e derrubado aquela árvore, provavelmente eu ainda lá estaria, aprisionado a ela. As promessas são para cumprir! Portanto: se queres continuar a ser meu amigo, não sejas cão!
- Pronto, está bem, vou anunciar no “Cantinho da Onda” que, no próximo fim-de-semana, podem todos aparecer no Bar da Praia, para umas bujecas e uns morfes à pála cá do Quim Zé! Estás satisfeito, Edgar?
- CRUARC!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

sininho

Surfar é um "lifestyle", meu Estilo de Vida, que mantém me em Harmonia com a Natureza, ajudando a ser pessoa mais perceptiva em encontrar beleza nas "coisinhas", me apaixonando todo dia pelo céu, em ser quase azul entre o mar, e se ver brincando em asas, e se ver voando com águas sob os pés que só a imaginação é capaz de nos dar.
Tenho os pensamentos longos transcritos em versos curtos, não abuso da palavra, não me estendo em assuntos; só acrescento amor em tudo que faço, e todo amor vem da gana da vida, Pela Vida......da onda não dá de saber do começo ou do fim até aonde irá ou de como seria se durasse mais um dia....

Texto por : Patricia Miranda

surf aveiro

Aqui vai um dia perto de Aveiro...

domingo, 11 de abril de 2010

algarve do oeste

Se o Cantinho tivesse postalinhos destes para se promover no mercado turístico, seria um tesouro para uns e uma calamidade para outros.
Quem lá esteve este fim-de-semana e gosta de banhos piscineiros e de nutrir-se de sol regressou a casa com a sensação de lhe ter saído a sorte grande.
Quem, por outra, chegou de pranchinha para o ritual do costume foi pior do que cólicas ou choques eléctricos.
Um autêntico cenário à algarvia, que fiz questão de registar do topo da Praia das Cebolas.
De lá se avistavam o amigo Manel a mergulhar de chapão; o primo Jaquim a apanhar caranguejos; a tia Antónia a fazer croché e a comer rissóis debaixo do chapéu às riscas; o Zé Maria a coçar as partes e a contar anedotas; a francesa com o biquini para espantar a branquidão; o Pedrinho nas rochas a fazer xixi; o Filomeno a jogar com as primas às raquetes; o Zé com o cão; o Vitorino a apanhar conchas e o Tó um escaldão.

Dedico este post ao nosso amigo Isca, que decidiu cirurgicamente ficar constipado este fim-de-semana. Há gajos com sorte...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

então, e o surf?

Encontrar um surfista no Alto Alentejo é tão improvável como avistar uma azinheira em Peniche.
Fui descobri-lo atrás duma banca de velharias no mercado de Estremoz, com um aspecto bem nutrido e sem o típico rosto bronzeado nem assaduras no pescoço, pois já se deixou do fato de neoprene há uma data de tempo. Lembram-se dele?
Mesmo para quem não conheça o Rebelo, é quase certo ter deparado mais que uma vez com aquela carrinha azul e branca (na fotografia), em tempos plantada religiosamente aos fins-de-semana no Cantinho.
Quase, aliás, me atrevo a afirmar que seria mais fácil, naquela altura, ver um porco a andar de bicicleta do que o fanático do Rebelo a andar dali para fora.
Mas a vida tem destas coisas, e, ao que parece, houve outros apelos, como o negócio das antiguidades, que ganhou asas e se expandiu para outros locais, como Setúbal ou Estremoz, onde já o tinha encontrado há uns tempos.
«Então, e o surf?», lá atirei, quase convicto de estar a enterrar-lhe impiedosamente um dedo na ferida. «Talvez um dia. Ainda tenho na carrinha o fato e a prancha», consentiu, depois de ter começado por afirmar polidamente que o surf não lhe dava de comer.
«O fato já deve estar desintegrado e a prancha cheia de bolor», brinquei. Ele riu-se. A mulher, que o acompanha nestas andanças, diz incitá-lo, em domingos de sol, a ir à praia. Mas ele, nicles. Está ciente que um surfaólico em regime de abstinência não vai à praia, sob pena de recaída.
Ou tudo, ou nada, pois claro! E se a opção é comer, em vez de surfar, posso assegurar-vos que o homem escolheu, decididamente, o caminho certo, pois só o missal do século XIX que vendeu a um espanhol, enquanto falávamos, rendeu-lhe o bastante para comer lagostas o ano inteiro.

terça-feira, 30 de março de 2010

aula de surf

- Este dia vai mudar para sempre a tua vida, Rantanplan! Nunca mais serás o mesmo!
- Vais-me fazer uma operação ao cérebro?
- Não sejas estúpido! Vou-te ensinar a deslizar numa onda! Garanto-te que é muito mais divertido do que aturar os Dalton!
- És tão querido, forasteiro! Sempre desejei andar num trenó! Só não percebo uma coisa: onde estão as renas?
- Quais renas?! Não há renas nenhumas! Eu empurro-te e tu pões-te em pé, percebes?
- Não! Normalmente, quando se empurra alguém, a pessoa cai...
- Ouve, Rantanplan: tu vais deitado em cima da prancha; quando vier a onda, eu empurro-te e tu pões-te em pé. Já percebeste?
- Por que razão me falas nesse tom tão arreliado? Ah, já sei! A rena sou eu! E as renas admoestam-se! Mas, olha, não sei se vou ser capaz de puxar este trenó. Tem uns apoios um bocado esquisitos. Parecem barbatanas!...
- Isso não é um trenó, imbecil, é uma prancha de surf! E não são barbatanhas. São quilhas!
- Sim, claro, vê-se bem que o trenó é falso. Tens razão para te aborreceres, forasteiro. Onde o compraste? Nos chineses, não? Se calhar, ainda está na garantia...
- ... Bem, vamos mas é mudar de conversa antes que eu te faça uma amona. Veste este fato, se fazes favor.
- O quê?! É isso que tu fazes aos cães que vêm contigo andar no trenó?!
- "Isso" o quê?!
- Arrancas-lhes a pele, como se fossem coelhos!!! COIOTE! Bem me cheirava que essa mosquinha por cima do queixo era marca de vilão!
- Não digas asneiras, Rantanplan. É a tua primeira aula de surf. E, se não queres ter frio, tens de vestir este fato!
- Não me mostres outra vez esse troféu sanguinário, cobói insolente!
- Cuidado, vem lá uma oooooonnnnnnndaaaa!
- Glgl, glglglg, glglgl...
- Rantamplan! Desmaiaste! Vou-te fazer uma massagem cardio-torácica para te reanimar. Vomita essa água!
- UUAAAAARRRRRCCCCC...
- Estás bem, bicho?
- Hã?! Onde é que eu estou? Quem és tu, Neptuno? Quem me deu este banho mais rápido que a própria sombra?

O iluminado


Já que gostaram muito da minha primeira não resisto em partilhar mais esta foto tirada no final do ano passado, recorda-me um grande dia de Surf com os amigos e com final de tarde que vos presenteio...


Boas ondas ;O

sábado, 27 de março de 2010

save the planet

Para miudos e graúdos vale a pena visitar este site:


http://www.animalssavetheplanet.com/media/swf/design_video.swf?vidNumber=1

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um tributo ao Cantinho da Onda


Boas..

Venho partilhar com todos vós uma foto que tirei ao Cantinho..

Vejam como está a ser abençoado..

Votos de Boas Ondas..

quinta-feira, 25 de março de 2010

friendship

Há males que vêm por bem. Pode dizer-se que este vídeo aconteceu por acidente, já que as imagens foram recolhidas durante uma incursão forçada pela Marginal, ao encontro da carrinha da nossa Raquel, que tinha ficado a dormir (o veículo, não a dona) numa berma a sul do Cabo Carvoeiro, por falta de combustível (uma história que, oportunamente, ela poderá contar-vos).
A tentativa de resgate foi infrutífera, pois a carripana não quis dar sinal de vida, traumatizada talvez pelo frio nocturno e pela angústia da solidão. Por lá havia de permanecer umas horas mais, até que um reboque a viesse salvar do sono profundo, como n’A Bela Adormecida.
A nós (junte-se a Té e o Isca, chofer de serviço), restou-nos voltar para o Baleal e confortar a pesarosa Raquel, que doravante não voltará a fiar-se na ideia de que uma Volkswagen mais velha que ela consome 2 litros aos 100’. Gajas...

quarta-feira, 24 de março de 2010

dia da limpeza voluntária

No passado sábado, juntaram-se, em todo o país, grupos de voluntários para limpar Portugal das lixeiras que vão nascendo desordenadamente por todo o lado.
Uma acção de louvar, e que deveria ser feita todos os fins de semana, não uma vez por ano.
Ao ver as imagens na televisão, percebi que algo estava errado.
As pessoas que estavam a recolher o entulho tinham idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos (muito poucos), e depois pessoal a partir dos 25 até aos 77 anos.
A pergunta que faço é: onde estão os jovens? Esses que vão ser o futuro do país, e que deveriam ser os primeiros a inscrever-se e a participarem neste tipo de eventos, para perceberem o que estamos a fazer ao meio ambiente e assim evitar esse mesmo erro.
Claro, são jovens... E sempre é melhor beber uns copos à noite e dormir de manhã do que levantar cedo e ir ajudar o pessoal a apanhar lixo de madrugada.
Aqui fica o meu apreço pela Té e pelo o Quim, pois sempre que acabam uma surfada vão limpando as praias por onde passam.
Essa imagem que tenho deveria ser seguida por todos nós!!!
Por isso, apelo: sempre que se termine uma surfada, que cada um de nós limpe um pouco o nosso Cantinho.


ben harper do oeste

O empregado da loja de instrumentos musicais tirou-lhe as medidas à cabeleira étnica e perguntou-lhe: «viaja muito de avião?». Eu, que testemunhava o acto solene, ainda esperei uma resposta jocosa, do tipo: «Sim, sim. Olhe, quando sair daqui, vou no meu jacto particular para a Jamaica, onde me espera um concerto».
Mas não.
À pergunta, que pretendia descortinar o tipo de saco ideal para guardar a guitarra que tinha acabado de comprar, respondeu o nosso Ben Harper do Oeste que, sim senhor, viajava muito de... autocaravana!
«Ah, pois, ‘tou a ver, tu és daqueles que trabalhinho ‘tá quieto, queres é violas e vadiagem”.
Isto é o que pode ter pensado o empregado da loja, que tinha cara de pai de filhos e de quem sabe muito bem que todos os músicos que não viajam de avião são criminosos que tocam no metro ou na Feira da Ladra e arrumam uns carros para comprarem estupefacientes.
Por isso mesmo, pôs logo de parte a possibilidade duma coisa cara como o carbono e lá lhe trouxe uma caixinha vagamente almofadada, de meia dúzia de euros, que era mais do que suficiente para a "senhora" poder andar aos tombos na Ford Transit, tipo a fulana dos Ferrero Rocher.
Cuida bem dela, Ambrósio!...

Foto: Liliana

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os clips que se seguem não são aconselhados a crianças, idosos e cardíacos!

... não vale cair...

quinta-feira, 11 de março de 2010

o naufrágio

Surfar num sítio com boas ondas é por si só um momento mágico, mas se estiveres na água e pensares que, por ali, há 200 anos atrás, naufragou um navio e que se afogaram 128 pessoas - na sua grande maioria Incas -, e se tiveres a cabeça completamente fo#%#da, esse lugar fica com uma energia que é dificil descrever. Quando estiverem com a cabeça f%#%da, falem comigo que levo-os lá a surfar.

Foto - Armando Agostinho

terça-feira, 9 de março de 2010

milagre da salvação

O último domingo esteve quase a transformar-se num apocalipse.
De manhã, antes de sair de Lisboa, ainda pensei se valeria a pena a peregrinação de cem quilómetros até Peniche. A ausência de vento e o santuário da Caparica ali tão perto balancearam-me. Mas a ideia de que a enchente, a meio da tarde, traria bom surf à Capital da Onda acabou por guiar-me, cheio de fé, até ao Cantinho.
Já no local, perdi o tom espirituoso. O vento de sudoeste até começou por indiciar a aparição de qualquer coisa na Prainha ou nos picos seguintes, a caminho da Almagreira, o que não passou de crendice forçada.
Baía, nada. O Cantinho, também, a pecar por pequeno e desordenado.
O tempo a esgotar-se e eu descrente, sem perspectivas de poder comungar, no meu domingo surfisticamente religioso.
Ao fim da tarde, e de muito vai-e-vém numa procura desesperada do que não havia, lá repisei na minha receita redentora: mau é no rio! (ou: não surfes amanhã o que podes surfar hoje, mandamento de que é especialista um amigo missionário, chamado Isca).
A Té e o Pata solidarizaram-se. Houve, ainda, o acto suis generis de quem se cobriu de neoprene para se ir banhar nas mesmas águas, como o messias no Rio Jordão; e até o Rui Lopes, que naquela tarde tinha deixado a bisnaga em casa, resolveu brincar aos realizadores de cinema e comungar connosco naquele milagre da salvação. Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amén.

Cliquem para ver o filme:






sexta-feira, 5 de março de 2010

um dia clássico

Ontem, fui para o trabalho no meu Isetta de 1955, que ficou todo contente por sair da garagem, de onde já não saía desde a última vez que de lá tinha saído.
Como é um carro espaçoso, pude levar comigo o longboard, já a pensar numa escapada até à Linha, no período do almoço.
Não encontrei sinal de vida junto à praia, o que me deixou felicíssimo, pois cada vez que levo o brinquedo fica tudo a olhar, como se avistassem um OVNI.
Dado que estava clássico, fiquei um bocadinho desnorteado, assim a modos que: “Eh pá, não acredito nisto”. Eu a olhar para o mar; o mar a olhar para mim; o Isetta, imóvel, semi confuso com a aquela indecisão dilemática; e a marmita da sopa e a sandes caseira a bradarem de dentro do saco térmico:
- Eh pá, deixa mas é a porcaria do surf, que a água ‘tá fria à brava, e vem mas é curtir o caldo verde e o papo-seco com chouriço, méne!
Então não é que, sem querer, dou comigo enfiado no raio do Isetta a ouvir a M80 e agarrado à marmita! As ondas, ali, a avançarem para mim, a cuspirem-me salmoura em cima, e eu, meio “masoq”, meio cobardolas, a desprezá-las de barriga cheia, enquanto tirava a fotografiazinha ao bacalhau com o carro envolto nele, para pôr no blogue a acompanhar esta história. Eu, naquele vergonhoso papel de menino que não larga o brinquedo, em vez de estar mas era lá dentro a curtir umas. Vocês acreditam nisto?

segunda-feira, 1 de março de 2010

negro por negro...

- Até parece ficção, Dolly, voltarmos à ribalta após cinquenta anos, numa coisa moderna a que chamam blogue!
- Podes crer, Mary, é magnífica esta sensação de surf virtual, através do tempo. Mas não me trates por Dolly, por favor, podem confundir-me com uma ovelha, aqui no futuro.
- Está descansada, amiga, apesar de os surfistas serem actualmente um enorme rebanho, é mais fácil confundirem-te com uma cadela!...
- Meu Deus, Mary, que te leva a dizeres uma coisa dessas?
- ... Só uma tipa embriagada é que viria surfar assim vestida, Dolly. Estamos em 2010!...
- Pois... Então, temos de arranjar uma praia onde sairmos sem que ninguém nos veja.
- Vai ser difícil, Dolly. Aqui no futuro já não há praias selvagens. Há é selvagens nas praias...
- Selvagens por selvagens, mais vale irmos para o Havai!
- É melhor não. Parece que vai haver por lá um tsunami.
- A sério?! Então, vamos até à Pérola do Atlântico, comer umas bananinhas!
- À Madeira?! Nem pensar! É um sítio muito dado a tragédias naturais. Não estaremos em segurança, apesar de um tal de Albert John Garden dizer o contrário!
- ... E Portugal Continental?
- Hmmm... Tem uma face oculta que não me cheira...
- Que tal Espanha?
- ... Pode haver etarras a fazer explodir as praias...
- Bem, Mary, sempre pensei que o futuro fosse um bocadinho mais colorido. Negro por negro, é preferível voltarmos para trás...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

mulheres...

Não percebo...
Ultimamente, sempre que me dirijo à minha Mimi com aquele sorriso e lhe digo "Então, Mimi, vamos lá? ^^", ela responde: "Ai, hoje não, Raquel, dói-me a cabeça..". Ao início ainda tolerava, mas uma mulher também não é de ferro, caramba! O que devo fazer?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quem és tu, afinal?

- ´Tá quieto, Areias, deixa-me vestir o fato!
- Não, não vás, por favor, não vás para o mar! Não quero ficar aqui soziiiiiiiinho, tenho meeeeeeedo!
- Deixa-te disso, Areias, Ninguém te faz mal! Ficas ali sentadinho nas dunas e vais mastigando uns chorões, que eu não demoro mais do que 3 horas!
- Desde que viemos para a Península Ibérica, nunca mais tiveste tempo para mim! Essa é que é essa!
- Não sejas melodramático, Areias! É só um bocadinho. Depois, vamos até ao Cabo Carvoeiro comer uns tremocitos e beber um chá de hortelã.
- Que exótico!...
- Tens de te adaptar, Areias. Eu também tive de fazer o mesmo!...
- Adaptar-me, não é?!... Andar com o pelo escovadinho e dormir numa varanda de dois metros quadrados sobre almofadinhas de seda! PA-NE-LEI-RI-CES! Lembras-te de quando cruzávamos sem temor o deserto do Saara e todos os beduínos te respeitavam por seres ousado e possuíres o melhor camelo do Magrebe? Eu era feliz com a minha pelagem cheia de catotas e admirava os teus lábios gretados! Agora, trocas-me por essa cavalgadura de resina e deixas-me plantado nas dunas a comer chorões! Não tens coração nem sentimento de pertença! Não te reconheço! Quem és tu, afinal?
- Escuta, Areias, eu não queria passar o resto da vida a alimentar-me de cobras do deserto e a espremer cactos para matar a sede. Vê se entendes isso!
- Então, decidiste europeizar-te! Vendeste a alma ao diabo, Hassan Mohammad!
- Não exageres, Areias! Ainda sou um muçulmano sunita!
- Tretas, Mohammad, tretas!
- Não me ofendas, Areias! Sabes que falo a verdade!
- Claro, claro... Toda a gente dá conta disso... nos teus cabelos berberes e nos tapetes que vais vendendo...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

second thoughts

Dá realmente que pensar: duas vezes.
Second thoughts: 3 malucos numa ilha deserta na indonésia durante 3 semanas, acampados na selva, altas ondas e tubos daqueles que dão para ir á cozinha buscar bolachas e ainda voltamos a tempo de ver o gajo sair... ah, para não falar da banda sonora animal!
Para alegrar as vossas tardes chuvosas (porque as minhas sessões de estudo foram de certeza melhoradas), longe do nosso cantinho
Beijinhos, PEK

grannis

A iconografia vintage do surf produz em mim um interminável deleite visual.
A imagem que acompanha este texto tem a assinatura do mítico Leroy Grannis, fotógrafo americano que soma actualmente 92 anos de idade e deixou de surfar já depois dos 80 (!).
Uma das características da obra de Grannis é conseguir captar com muita arte e engenho esta estranha forma de vida, que é, sem dúvida, muito mais que um desporto.
No caso vertente, enquanto as ondas de 1964 parecem empurrar preguiçosamente as single fin de então, saltam à vista as belíssimas viaturas que frequentavam, à época, a faixa costeira da Califórnia e que Leroy, então com metade da idade que tem hoje e pulmão de sobra para subir à duna de San Onofre, fixou na objectiva da sua máquina de parar o tempo.
Ali ficaram, estacionadas para sempre perante o nosso olhar curioso, resgatadas da morte e do esquecimento, mesmo que o ciclo da indústria transformadora já as tenha possivelmente convertido em parafusos ou quaisquer outras quinquilharias do mercado global.
A arte é assim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

momentos


Fotografia da minha amiga Ana Knapic

popcorn days

Quando não há surf ao domingo, faz-se outras coisas. Cinema, por exemplo. O “Alvin e os Esquilos” estavam à minha espera numa sala do Centro Colombo. Apesar de ter chegado com meia hora de antecedência, isso não evitou que desse de caras com um autêntico exército em redor das bilheteiras. Ou melhor, supermercado de tiquês. É que, também no nosso país, impecavelmente importador de padrões, a indústria do cinema e a do milho parecem ter contraído matrimónio e serem muito felizes, de há uns tempos para cá.
Como se não bastasse a porcaria do cheiro a fritos americanos, à mistura com o perfume enjoativo das adolescentes e a perspectiva de passar o filme inteiro a dar-me conta do que se passa dentro das bocas dos outros, ainda recebo, mascarado de bilhete (até gostava de os coleccionar antes do mundo global), a porcaria dum talão que não difere em nada daqueles que costumam dispensar-me no talho ou na charcutaria.
Meia hora depois de ter esperado impacientemente a minha vez, numa das quinhentas filas que desembocam num mar de caixas que faz lembrar o Continente, dou comigo a ouvir:
- Para esse filme só há bilhetes para a fila A.
F#&@-$€, pensei. Este gajo faz-me perder meia hora em pé, enquanto abandona insistentemente a porcaria da caixa para ir encher a porcaria dos baldes com a porcaria das pipocas e agora ainda quer que eu mastigue a porcaria do filme em cima do ecrã!
- Olhe, e chouriços vende? – perguntei-lhe.
Ficou a olhar, enquanto me afastei, decididamente, a espezinhar a porcaria das pipocas que o miúdo do lado tinha deixado cair para o chão. O meu, coitado, veio-se embora a chorar pelo Alvin, apesar de não o conhecer de lado nenhum. Apeteceu-me, confesso, os domingos singelos de antigamente, a ver em casa os filmes da Heidi a preto-e-branco e a comer torradas ou salada de frutas.

Foto: Sodahaed.com

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

um grande passo para a humanidade

- Que é que ‘tás a fazer, homem?
- Estou a desatar os sapatos. O Mick Fanning disse numa entrevista recente à revista Surfer que gostava de andar com os ténis desapertados porque isso lhe dava uma sensação de liberdade e despreocupação. Como vou ter de ir trabalhar amanhã, é para aliviar o stress!...
- ‘Tá boa...
- Além disso, quando eu era miúdo, tinha o pé chato e usava botas ortopédicas. Detestava sentir os pés afogados dentro delas. Ainda hoje, quando desaperto os sapatos sinto um prazer indescritível. É como desapertar uma gravata, percebes?
- Sim. Mas, se o problema é esse, porque é que não andas de chinelos, em vez de calçares essas traineiras?!
- Se andasse de chinelos, não tinha o prazer de desapertar os sapatos.
- Tu estás doidinho, não estás? Vá, ata lá os sapatos e deixa-te de tolices! Um homem com os sapatos mal atados não vai a lado nenhum nem consegue dar passos seguros!
- Não, não vou apertá-los!
- Ai vais, vais. Não os apertas tu, aperto-tos eu! Vá, dá cá o presunto.
- Aaaaaiiii, estás-me a aleijar no calo!
- Eh pá, não sejas maricas!
- ...Maldito o dia em que inventaram os atacadores!
- Cala-te! Sabes o que disse o Neil Armstrong quando pisou a Lua em ’69? “Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade!”.
- E então?!
- E então, se apertares os sapatos, não te arriscas a dar passos em falso ou a tropeçar. Os atacadores são uma invenção tão importante como a ida à Lua!
- Mas o Mick Fanning...
- ... Eh, pá! O Mick Fanning é um menino que não sabe para que é que servem os atacadores, nem os cintos, nem as gravatas, nem os fechos das braguilhas, porque não vai ter de ir trabalhar amanhã, ao contrário de ti, nem pô-la a mijar, porque tem quem o faça por ele. Além disso, vais ver que a tua mãe gosta mais assim... Não te esqueças que era ela quem te apertava as botas ortopédicas!...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

o cavalinho de pau

- Estás a vê-los, Rudi?
- Sim, estão ali a comer enlatados e a beber cerveja.
- O.K. Então, já sabes, é chegar lá e disparar a sangue frio, sem contemplações! TA-TA-TA-TA-TA!
- Achas mesmo necessário?
- Claro! Desde que fizeram cá o Campeonato do Mundo de surf, isto parece o penico de Óbidos. Morte ao turismo de massas!
- Mas eles ‘tão a comer sardinhas, Dave! Massas é mais em Itália...
- Cala-te, Rudi. Só tens de chegar ali e dar ao gatilho até ficares sem balas na câmara.
- Mas... eu não tenho balas na Câmara, Dave. A única coisa que tenho na Câmara é o nosso amigo João Rosado, que trabalha lá.
- Sabes, Rudi, acho que essa camisola às riscas está a fazer de ti um verdadeiro Dalton!...
- Dalton? Qual Dalton? O que trocava as cores?
- Não, imbecil. O Averell, do Lucky Luke.
- Olha, por falar nisso, quando é que me devolves o meu cavalinho de pau, o meu Jolly Jumper?
- ...Quando me trouxeres de volta os meus Gormitis!
- Primeiro, o cavalinho de pau!
- Os Gormitis!
- O cavalinho de pau!
- Os Gormitis!
- OU O CAVALINHO DE PAU OU NUNCA MAIS BRINCO CONTIGO NOS DIAS EM QUE NÃO HOUVER ONDAS!...
- Pronto, pronto! Não há-de ser por causa da porcaria do cavalinho de pau que vamos deixar de brincar aos gangsters com as bisnagas!...

domingo, 24 de janeiro de 2010

a bela e o paparazzo

Este fim-de-semana, entre umas ondas mal formadas e umas abertas no céu, que deixou o sol romper e cujos raios foram aproveitados ao máximo, tivemos um vislumbre do filme que vai estrear para a semana, neste caso A Bela e o Paparazzo, versão Cantinho da Onda.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

efeméride

Completam-se hoje 76 anos sobre a revolta dos vidreiros da Marinha Grande, que protestaram em 1934 contra o Estatuto do Trabalho Nacional. Que tem isto a ver com o surf? Nada, aparentemente. Mas como não me ocorria o que escrever, pus-me a olhar para a estante dos livros, à procura de alguma coisa que me beliscasse.
Passei os olhos numa tábua de efemérides e espreitei as ocorrências do dia 18 de Janeiro, que é hoje.
Aprendi umas coisas sobre o corsário Mondragon, o Duarte Pacheco, a capital do Perú, a constituição do Império alemão, o Pólo Sul e até o facto de o explorador britânico James Cook ter descoberto neste mesmo dia, em 1778, as ilhas do Havai.
Os vidreiros, por seu turno, estavam destinados a que alguém elegesse falar sobre eles num blogue de surf, que são coisas (o surf e o blogue), claro está, de cuja existência eles não poderiam suspeitar há 76 anos, até porque tinham mais com que se preocupar - como contestarem o tal Estatuto do Trabalho Nacional, inspirado na Carta del Lavoro do fascismo italiano e que se preparava, então, para lhes subtrair uma catrefa de direitos fundamentais e relegá-los para uma espécie de subordinação canina, sem horizontes. Ou seja, tudo aquilo a que um surfista, verdadeiro amante da liberdade, nunca desejaria submeter-se.
Em 1934, não havia surfistas no nosso país. Mas se imagino que os houvesse e que acendessem numa praia uma fogueira, e tocassem viola, escondendo os olhos sob as guedelhas longas enquanto fumassem cigarros esquisitos, alguém de passagem os denunciaria à Polícia de Vigilância do Estado.
Recaíria sobre eles a mácula da vagabundagem e do anti-corporativismo, por preterirem a solidariedade entre a propriedade, o capital e o trabalho em benefício da solidariedade entre o despojamento e o ócio. O próximo spot, como no caso dos vidreiros, havia de ser o Tarrafal.
Não tenho dúvidas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

a bela e o surfarazzo

- Então, Marilyn, que carinha é essa? Parece que acabaste de vir da Loja do Cidadão!...
- Já sabes que não gosto de ficar aqui plantada, horas a fio, à tua espera...
- ...Mas as ondinhas estavam tão boas!...
- Pois... E eu?
- ...E tu podias fazer ponto cruz enquanto esperavas por mim, amor, ou ir visitar a prisão de onde fugiu o Cunhal, que é tão histórico como tu!... Vá, dá cá um kiss e não te chateies. Temos o resto do dia por nossa conta!
- O resto do dia? É quase noite!...
- Melhor ainda! Vamos para casa e, enquanto eu tomo um banhito quente e trato da minha depilação genital, tu acendes a lareira e metes o chouriço ao lume!
- Sabes, Moura, está-me a apetecer uma cataplana, ou uns bifinhos de champinhons...
- Ah sim?! Então, ‘tá bem. Vá lá comprar os bifinhos ao Intermarché, que o menino empresta-lhe o cartão de crédito. E, se for a menina a cozinhá-los, até lhe ofereço um apartamento num arranha-céus do Dubai e o computador Magalhães, para jogar ao Solitário lá nas alturas!...



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vento cão

Apesar do frio que assolou o país este fim-de-semana, nem tudo foi mau.
A ausência de vento e o sol de sábado justificaram as quase três horas que passei no mar do nosso Cantinho, com uma ondulação aceitável, a funcionar, inclusivamente, à maré vazia.
Já no domingo, o filme foi outro. Despertei com a carcaça do meu valioso hotel ambulante a pelejar com o vento. As fortes rajadas, junto ao Lagide, pareciam decididas a despejar-me pela encosta abaixo e ao meu velho canídeo, que àquela hora já se mostrava bastante ansioso por devolver à natureza a última ceia.
Ter de voar na furgoneta, seria até um mal menor – antigamente, se descia de eléctrico uma rua de Lisboa, desejava mesmo que lhe faltasse o freio, só para ver como era! – desde que não se aleijasse ninguém...
O meu problema consistia primeiramente na higiene do bicho, que me inquietava com as suas bufas premonitórias...
Se o levo para o meio do vendaval, ainda fico sem ele, pensei. Se espero demais, vai acabar por se borrar todo.
Sempre detestei dilemas, porque tenho tendência para a pior saída.
Mas, ali, estava-se mesmo a ver, a única saída era a porta.
Trela enfiada e vamos nós.
Mal vê a rua, já lhe brota da tripa o mal, que trato de pisar, no meio daquela atrapalhação, querendo fazê-lo descer do estribo sem que se magoe.
Uma vez lá fora, o xixi nem sequer alcança o chão, pois o vento rasteiro projecta-o no ar como uma pistola de rega. E os dois croquetes, acabadinhos de cozinhar, abalam a correr pelo terreno arenoso, como ratos assustadiços.
No pára-brisas da Volksvagen ali ao lado, descubro um jovem casal alemão, de quem só conhecia até ao momento as sapatilhas, que tinham deixado a pernoitar cá fora.
Seguram chávenas, que adivinho com chá quente.
Riem.
Sou a sua televisão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

filomena

Mergulhou as unhas envernizadas na carteira e tirou de lá vinte euros, para dar ao filho adolescente que tinha as calças a fugirem-lhe do cu e cabelo de cão de água. O puto voltou-lhe um agradecimento esforçado e desapareceu com a prancha de surf debaixo do braço em direcção à praia.
- Está a ver, senhor António – disse ela, automática, para o empregado de balcão, enquanto vazava sobre a bica o pacote do açúcar – só dão é despesas!
Depois, fitou-me, de soslaio, a sorrir com apenas metade da boca, requerendo a minha cumplicidade.
Eu dispensei-lhe um sorriso formal e chamei o “António”, que não me conhecia de lado nenhum, para saldar a conta. Acabei por sair daquele café na Caparica a remoer na imagem familiar do rosto dela, semi travestido pelos cosméticos e algumas rugas.
Só se fez luz no dia seguinte, quando pensei na Filomena, que eu conheci por aquelas bandas em '86! A dita, vistosa, teria, então, uns 16 anos e sobressaía nuns fotográficos olhos azuis e no volume emancipado dos seios. Era do tipo extrovertido e não tardou a meter conversa com o grupo de amigos que frequentavam naquela altura as ondas da Costa e o Quica Bar, entre os quais me incluía eu.
A Mena era fixe.
Curtia com todos e consentia sem problemas uns apalpões. Mas não tardou a transferir-se para o grupo dos betos, que tinham pranchas brand new, roupinha de marca e estavam lá a semana inteira, porque não precisavam de vergar a mola para comprar peúgas e gilletes.
Em pouco tempo, foi-nos negando os apalpões e, dos lábios dela, já só tínhamos notícias quando vinham, casualmente, beijar o filtro dos cigarros que nos ia cravando.
Depois, aos poucos, evaporou-se. Durante mais de duas décadas, até à data inevitável destas linhas.
As voltas que o mundo dá!...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

dia d

- Ke bela maneirra de komeçarr o ano! Estamos sofrrendo um invasão, tenente von Lili!
- Ya, mein kapitão!... De prranchash e kanoash!
- Ainda porr cima, kanoash! Já não bastavam os prranchash!...
- "Kanoa de vela errguida..."
- Não é horra de brrinkarr, tenente von Lili! Maish uma dessash e vai surrfarr na klorroforrmio!
- Enstschuldigung, mein kapitão! É maish forrte ke eu eshta vontade de serr kantorra!...
- Kale-se! Trrate já de prreparrarr um injecção letal parra eliminarr essesh porrkosh invasorresh! Depoish, poderrá kantarr-lhes o marrcha fúnebrre!
- Ya, mein kapitão! Mash... prrimeirro, prreciso irr ao kasa-de-banho!
- Was?!
- Eshtou enerrvada! E os nerrvosh alterram-me osh inteshtinosh...
- Chaisse! Você só me dá prroblemash, tenente von Lili! Se os seush intestinosh não funkcionam, tem bom remédio: korrta o barriga àquele parrakedishta inglêsh e fika kom os inteshtinosh dele, ke devem estarr limpinhosh de tanto chá!...
- Eshtou a fikarr agoniada!
- Agoniado eshtou eu, kom tantos prranchash e kanoash!...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Faz lá destas ó Taj!


Não sei se esta fotografia é montagem ou não. Mas foi a partir deste momento que se começou a chamar "toca" aos tubos... e de uma coisa tenho a certeza: este tube rider não quer gatas à sua espera na praia...

back to the future (quem foi que se meteu na história das tatuagens?)

- É um prazer vê-lo a trabalhar, senhor Jack Carpenter! Ao vivo e a preto e branco!
- Não há tatuadores, lá no futuro?
- Há, sim. Mas, antes de sacrificar o meu pé delicado, decidi regressar aos anos cinquenta, para ver como tudo começou.
- ...Muito bem! Mas olhe, Miss Martel, não há nada de especial nisto. Começou tudo com meia dúzia de malucos, como sempre!...
- Soube que o senhor Carpenter foi o primeiro a tatuar uma mulher!...
- Fui, não: sou! Precisamente esta mulher que aqui está! Agora! Neste momento!
- Uau! Lá, em Portugal, nessa altura, uma mulher tatuada seria um escândalo!
- Onde é Portugal?
- Deixe, senhor Carpenter. Talvez um dia fique a saber, se ainda estiver vivo em '74, ou se, por acaso, tiver de tatuar um mapa no trícipe dum emigrante saudoso...
- É lá para as Espanhas, não é?
- Meu Deus...
- Olhe, Miss Martel, eu é mais geografia anatómica! Se quiser, posso transformar-lhe o umbigo num belo cu de macaco! Sempre fica com um cheirinho a África!...
- Que disparate!!!
- Olhe que os anos cinquenta são muito à frente!
- ‘Tou a ver!... Até as senhoras com blusinhas do género “Uma Casa na Pradaria” vêem sacrificar os seus níveos braços com desenhos que parecem o símbolo do Sport Lisboa e Benfica!
- What?
- Forget it, mister Carpenter. Obrigada pelo macaco, mas vou regressar a 2009, onde a história felizmente é outra.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

feliz natal!

Aqui deixo os desejos de um Feliz Natal a todos os amigos e leitores do nosso Blog.
1 abraço e tudo do melhor.

domingo, 13 de dezembro de 2009

winter time

O Inverno está a chegar mas lembrem-se há sempre sitios mais frios...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Esqueçam....


... o DarkSurfer! Se este aqui descobre o cantinho é que estamos lixados...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

agora de ondas :)











apêndice

Só para relembrar que as fotos subaquáticas não foram tiradas no aquário Vasco da Gama mas sim em pleno mar das Maldivas. Isto é a resposta para aqueles que depois vêm atirar bocas e dizer que é no aquário e o surf é em Vila Real de Santo António... Hehehehehehe!

só para meter inveja :)











Maldivas até que enfim
















Pois é demorou mas foi, as fotos essas só agora é que apareceram pois estive de luto após a viagem pois o choque da chegada é grande, este é o unico defeito que encontrei nesta viagem pois tudo o resto sem palavras...

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

happy birthday!

Faz hoje um ano que tudo começou, e eu, confesso, estou satisfeito pelo divertimento que me tem proporcionado este Cantinho, sobretudo pela possibilidade de aqui ter encontrado uma espécie de onda virtual, sempre à minha inteira disposição, quando e como eu quiser, que é uma coisa que eu gostava que me acontecesse com as ondas reais.
Estou certo que me entendem.
E para exprimir a razão de ser do Cantinho da Onda resolvi compor a imagem ao lado, que presta homenagem a todas as pessoas que, duma forma ou doutra, por aqui têem passado e sem as quais este espaço não faria sentido. Mas, para que ele continue a fazer sentido, é preciso que não lhe faltem as pessoas...
Vale a pena pensar nisso!
A todos vós, aquele abraço!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

walking

Onde vão eles?
O que há à frente?
Que procuram eles?
O que vão a conversar?
Um momento no tempo...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

sacanas sem lei

Na dispensa e no frigorífico, já só havia ar. Haviam de parar, ao correr da estrada, para roubarem marmelos (daqueles biológicos, onde moram as moscas e as lagartas). Não é que fossem uns unhas-de-fome e não pudessem matar o bicho num restaurante qualquer. Mas o atum, o feijão branco e outras delícias enlatadas assaltavam-lhes teimosamente os pratos de plástico, que lavavam com pão até que neles se conseguisse reflectir a lua.
Só variaram no último dia, depois da derradeira batalha no meio das ondas lhes ter levado o que lhes restava de energia e tê-los feito sentirem-se aptos a devorarem uma centena de javalis, como o Obelix. Mas contentaram-se com um parente do Bugs Bunny, assassinado a sangue frio num amigável tasco alemão à beira da estrada. Enquanto posavam para o passarinho e iam soltando umas graçolas e umas bombinhas de mau cheiro, já o desgraçado do animal esticava o pernil, para os esperar numa improvável travessa de loiça de Sacavém, cortado aos bocados. À Tarantino.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

a alforreca badameca

Era uma vez uma alforreca que se chamava Badameca. Antes de se chamar Badameca, a alforreca Badameca não tinha nome. Era uma simples alforreca entre a colónia de alforrecas onde todas as alforrecas eram iguais.
Durante o dia, a alforreca Badameca passava o tempo a comer camarões. Como isso lhe parecia muito monótono, perguntou às outras:
- Porque é que passamos o dia inteiro a comer camarões?
Nenhuma alforreca quis responder à Badameca.
- PORQUE É QUE PASSAMOS O DIA INTEIRO A COMER CAMARÕÕÕÕÕES? – insistiu.
A rainha das cubomedusas estendeu os tentáculos, que eram grandes como pernas de girafa e dirigiu-se com a sua enorme cabeça de sino em direcção à Badameca:
- Qual é o problema com os camarões?!...
A alforreca Badameca não se deixou intimidar:
- Podíamos variar – disse ela, intrépida, enquanto arrotava repetidamente aos camarões. – É cá uma falta de criatividade!
- És a primeira a queixar-se! Uma alforreca não foi feita para se queixar, mas sim para os outros se queixarem dela, como os banhistas do domingo passado! Aqui, é assim: ou comes camarão, ou comes camarão! Se não comeres camarão, enfraquecerás por não comeres camarão; perderão forças as tuas células urticantes e serás a primeira a cair nos dentes das tartarugas ou a ser regada com vinagre por um ser humano! Portanto: ou comes camarão, ou comes camarão!
- Fascista! Não comerei camarão!
- Comunista! Já não és uma das nossas! Podes fazer as malas e põe-te a andar! Sua badameca!
- BADAMEEEEEEECA!!! – repetiu, em coro, toda a colónia.
Foi nesse dia que a alforreca Badameca, por querer ser diferente das outras, passou a chamar-se Badameca.
Com muito orgulho.

Para o meu filho João