sexta-feira, 30 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

naquele tempo é que era bom!

Naquela altura, as tábuas de engomar eram um autêntico objecto de culto e faziam as delícias das donas de casa em todo o planeta. Destacavam-se, sobretudo, por uma enorme versatilidade. Eram óptimas para passar lençóis e atoalhados. E transformavam-se facilmente em tampos de mesa, o que dava um jeito extraordinário às famílias numerosas.
As nossas avós não se atreviam a viver sem elas, sendo, então, bastante comum em todas as casas a existência de quatro ou cinco exemplares, cuja compra o próprio estado financiava, para promover o brio feminino e a felicidade do lar.
Este fenómeno resultaria, em pouco tempo, numa admirável mutação atlética da mulher (que nem Darwin explicaria), dotando-se então a fêmea humana dum porte invulgarmente saudável, do tipo daquele que se vê na imagem (obrigado à dona Teresinha, que tem hoje 90 anos e nos cedeu, para ilustrar este texto, a fotografia onde posa, em jovem, ajoelhada sobre a sua companheira de sempre).
Teresinha Ayala, que é hoje, como todos sabem, a presidente honorária do Clube das Tábuas de Engomar da Península de Peniche (CTEPP), não conseguiu esconder a sua emoção quando a contactámos para lhe dizer que pretendíamos publicar no blogue uma breve nota sobre a vida doméstica do seu tempo: «Naquela altura é que era bom!», referiu, «fartávamo-nos de labutar, mas, com tábuas daquelas, as colchas de linho e os cortinados da sala não ficavam com um único vinco! E, quando dávamos por nós, parecíamos o Tarzan Taborda e até nos crescia o buço!».
Ah, grande Teresinha!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

febre do sabado de manhã

Ninguém duvida de que o sábado foi uma grande invenção da humanidade, melhor ainda do que certo marisco, como as sapateiras, de que gosto muito, mas que considero mal concebidas, por causa dos membros desproporcionados, pois o prazer que nos traz a deglutição duma perna gorda é inversamente proporcional ao duma pequena, que parece clonada dum aracnídeo.
Duma coisa estou certo: se todos os dias fossem sábado, seríamos seguramente criaturas muito mais felizes. Experimentaríamos uma espécie de brilhantina na alma e, como o John Travolta, dançaríamos benevolamente enfebrados entre uma bola de espelhos dependurada no cosmos, a milhões de quilómetros, e um palco de ondas com sabor a sapateira só de pernas gordas...

video

domingo, 18 de abril de 2010

a lição

- ´Tá quieto, Edgar, não me enfies o bico no ouvido, que isso faz cócegas!
- É para te limpar essa cera, para ver se começas a ouvir melhor a voz da tua consciência!
- Obrigado, Edgar, mas eu oiço muito bem. Vá, pára com isso!
- Envergonhas-me, Quim Zé!
- Ora essa, porquê?
- Prometeste aos teus amigos que lhes pagavas umas cervejas no dia teu aniversário e não cumpriste. Tens 41 anos, Quim Zé! Está na altura de seres responsável e não fazeres promessas falsas!
- Eles a mim também nunca me pagaram nada!
- MAS TAMBÉM NUNCA TE PROMETERAM NADA!
- AAAAAIII, ‘tas-me a enfiar o bico na trompa de eustáquio! Isso dói, porra!
- Anda, maricon, vai buscar a carteira e chama os teus amigos para lhes pagares uma rodada.
- Pago o caraças, é que pago!
- Vou-te contar uma história, para ver se acordas, Quim Zé: quando eu era jovem, um caçador apanhou-me, cortou-me as guias das asas e atou-me a uma árvore da sua horta à beira da estrada, onde me manteve preso durante um ano. O cão dele prometeu libertar-me. Mas, entretanto, apareceu uma cadela que lhe deu a volta ao miolo e ele partiu com ela, desprezando a promessa que me fizera.
- As cadelas são todas assim! Só servem para desvairar o parceiro e corrompê-lo...
- Não brinques, Quim Zé! O cão não soube honrar a sua palavra e, se não fosse o facto de, naquele dia, teres estampado o camião e derrubado aquela árvore, provavelmente eu ainda lá estaria, aprisionado a ela. As promessas são para cumprir! Portanto: se queres continuar a ser meu amigo, não sejas cão!
- Pronto, está bem, vou anunciar no “Cantinho da Onda” que, no próximo fim-de-semana, podem todos aparecer no Bar da Praia, para umas bujecas e uns morfes à pála cá do Quim Zé! Estás satisfeito, Edgar?
- CRUARC!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

sininho

Surfar é um "lifestyle", meu Estilo de Vida, que mantém me em Harmonia com a Natureza, ajudando a ser pessoa mais perceptiva em encontrar beleza nas "coisinhas", me apaixonando todo dia pelo céu, em ser quase azul entre o mar, e se ver brincando em asas, e se ver voando com águas sob os pés que só a imaginação é capaz de nos dar.
Tenho os pensamentos longos transcritos em versos curtos, não abuso da palavra, não me estendo em assuntos; só acrescento amor em tudo que faço, e todo amor vem da gana da vida, Pela Vida......da onda não dá de saber do começo ou do fim até aonde irá ou de como seria se durasse mais um dia....

Texto por : Patricia Miranda

surf aveiro

Aqui vai um dia perto de Aveiro...

domingo, 11 de abril de 2010

algarve do oeste

Se o Cantinho tivesse postalinhos destes para se promover no mercado turístico, seria um tesouro para uns e uma calamidade para outros.
Quem lá esteve este fim-de-semana e gosta de banhos piscineiros e de nutrir-se de sol regressou a casa com a sensação de lhe ter saído a sorte grande.
Quem, por outra, chegou de pranchinha para o ritual do costume foi pior do que cólicas ou choques eléctricos.
Um autêntico cenário à algarvia, que fiz questão de registar do topo da Praia das Cebolas.
De lá se avistavam o amigo Manel a mergulhar de chapão; o primo Jaquim a apanhar caranguejos; a tia Antónia a fazer croché e a comer rissóis debaixo do chapéu às riscas; o Zé Maria a coçar as partes e a contar anedotas; a francesa com o biquini para espantar a branquidão; o Pedrinho nas rochas a fazer xixi; o Filomeno a jogar com as primas às raquetes; o Zé com o cão; o Vitorino a apanhar conchas e o Tó um escaldão.

Dedico este post ao nosso amigo Isca, que decidiu cirurgicamente ficar constipado este fim-de-semana. Há gajos com sorte...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

então, e o surf?

Encontrar um surfista no Alto Alentejo é tão improvável como avistar uma azinheira em Peniche.
Fui descobri-lo atrás duma banca de velharias no mercado de Estremoz, com um aspecto bem nutrido e sem o típico rosto bronzeado nem assaduras no pescoço, pois já se deixou do fato de neoprene há uma data de tempo. Lembram-se dele?
Mesmo para quem não conheça o Rebelo, é quase certo ter deparado mais que uma vez com aquela carrinha azul e branca (na fotografia), em tempos plantada religiosamente aos fins-de-semana no Cantinho.
Quase, aliás, me atrevo a afirmar que seria mais fácil, naquela altura, ver um porco a andar de bicicleta do que o fanático do Rebelo a andar dali para fora.
Mas a vida tem destas coisas, e, ao que parece, houve outros apelos, como o negócio das antiguidades, que ganhou asas e se expandiu para outros locais, como Setúbal ou Estremoz, onde já o tinha encontrado há uns tempos.
«Então, e o surf?», lá atirei, quase convicto de estar a enterrar-lhe impiedosamente um dedo na ferida. «Talvez um dia. Ainda tenho na carrinha o fato e a prancha», consentiu, depois de ter começado por afirmar polidamente que o surf não lhe dava de comer.
«O fato já deve estar desintegrado e a prancha cheia de bolor», brinquei. Ele riu-se. A mulher, que o acompanha nestas andanças, diz incitá-lo, em domingos de sol, a ir à praia. Mas ele, nicles. Está ciente que um surfaólico em regime de abstinência não vai à praia, sob pena de recaída.
Ou tudo, ou nada, pois claro! E se a opção é comer, em vez de surfar, posso assegurar-vos que o homem escolheu, decididamente, o caminho certo, pois só o missal do século XIX que vendeu a um espanhol, enquanto falávamos, rendeu-lhe o bastante para comer lagostas o ano inteiro.