Dá realmente que pensar: duas vezes.
Second thoughts: 3 malucos numa ilha deserta na indonésia durante 3 semanas, acampados na selva, altas ondas e tubos daqueles que dão para ir á cozinha buscar bolachas e ainda voltamos a tempo de ver o gajo sair... ah, para não falar da banda sonora animal!
Para alegrar as vossas tardes chuvosas (porque as minhas sessões de estudo foram de certeza melhoradas), longe do nosso cantinho
Beijinhos, PEK
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
grannis
A iconografia vintage do surf produz em mim um interminável deleite visual.A imagem que acompanha este texto tem a assinatura do mítico Leroy Grannis, fotógrafo americano que soma actualmente 92 anos de idade e deixou de surfar já depois dos 80 (!).
Uma das características da obra de Grannis é conseguir captar com muita arte e engenho esta estranha forma de vida, que é, sem dúvida, muito mais que um desporto.
No caso vertente, enquanto as ondas de 1964 parecem empurrar preguiçosamente as single fin de então, saltam à vista as belíssimas viaturas que frequentavam, à época, a faixa costeira da Califórnia e que Leroy, então com metade da idade que tem hoje e pulmão de sobra para subir à duna de San Onofre, fixou na objectiva da sua máquina de parar o tempo.
Ali ficaram, estacionadas para sempre perante o nosso olhar curioso, resgatadas da morte e do esquecimento, mesmo que o ciclo da indústria transformadora já as tenha possivelmente convertido em parafusos ou quaisquer outras quinquilharias do mercado global.
A arte é assim.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
popcorn days
Quando não há surf ao domingo, faz-se outras coisas. Cinema, por exemplo. O “Alvin e os Esquilos” estavam à minha espera numa sala do Centro Colombo. Apesar de ter chegado com meia hora de antecedência, isso não evitou que desse de caras com um autêntico exército em redor das bilheteiras. Ou melhor, supermercado de tiquês. É que, também no nosso país, impecavelmente importador de padrões, a indústria do cinema e a do milho parecem ter contraído matrimónio e serem muito felizes, de há uns tempos para cá.Como se não bastasse a porcaria do cheiro a fritos americanos, à mistura com o perfume enjoativo das adolescentes e a perspectiva de passar o filme inteiro a dar-me conta do que se passa dentro das bocas dos outros, ainda recebo, mascarado de bilhete (até gostava de os coleccionar antes do mundo global), a porcaria dum talão que não difere em nada daqueles que costumam dispensar-me no talho ou na charcutaria.
Meia hora depois de ter esperado impacientemente a minha vez, numa das quinhentas filas que desembocam num mar de caixas que faz lembrar o Continente, dou comigo a ouvir:
- Para esse filme só há bilhetes para a fila A.
F#&@-$€, pensei. Este gajo faz-me perder meia hora em pé, enquanto abandona insistentemente a porcaria da caixa para ir encher a porcaria dos baldes com a porcaria das pipocas e agora ainda quer que eu mastigue a porcaria do filme em cima do ecrã!
- Olhe, e chouriços vende? – perguntei-lhe.
Ficou a olhar, enquanto me afastei, decididamente, a espezinhar a porcaria das pipocas que o miúdo do lado tinha deixado cair para o chão. O meu, coitado, veio-se embora a chorar pelo Alvin, apesar de não o conhecer de lado nenhum. Apeteceu-me, confesso, os domingos singelos de antigamente, a ver em casa os filmes da Heidi a preto-e-branco e a comer torradas ou salada de frutas.
Foto: Sodahaed.com
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
um grande passo para a humanidade
- Que é que ‘tás a fazer, homem?- Estou a desatar os sapatos. O Mick Fanning disse numa entrevista recente à revista Surfer que gostava de andar com os ténis desapertados porque isso lhe dava uma sensação de liberdade e despreocupação. Como vou ter de ir trabalhar amanhã, é para aliviar o stress!...
- ‘Tá boa...
- Além disso, quando eu era miúdo, tinha o pé chato e usava botas ortopédicas. Detestava sentir os pés afogados dentro delas. Ainda hoje, quando desaperto os
sapatos sinto um prazer indescritível. É como desapertar uma gravata, percebes?- Sim. Mas, se o problema é esse, porque é que não andas de chinelos, em vez de calçares essas traineiras?!
- Se andasse de chinelos, não tinha o prazer de desapertar os sapatos.
- Tu estás doidinho, não estás? Vá, ata lá os sapatos e deixa-te de tolices! Um homem com os sapatos mal atados não vai a lado nenhum nem consegue dar passos seguros!
- Não, não vou apertá-los!
- Ai vais, vais. Não os apertas tu, aperto-tos eu! Vá, dá cá o presunto.- Aaaaaiiii, estás-me a aleijar no calo!
- Eh pá, não sejas maricas!
- ...Maldito o dia em que inventaram os atacadores!
- Cala-te! Sabes o que disse o Neil Armstrong quando pisou a Lua em ’69? “Um pequeno passo para o homem, um grande passo para a humanidade!”.
- E então?!
- E então, se apertares os sapatos, não te arriscas a dar passos em falso ou a tropeçar. Os atacadores são uma invenção tão importante como a ida à Lua!
- Mas o Mick Fanning...
- ... Eh, pá! O Mick Fanning é um menino que não sabe para que é que servem os atacadores, nem os cintos, nem as gravatas, nem os fechos das braguilhas, porque não vai ter de ir trabalhar amanhã, ao contrário de ti, nem pô-la a mijar, porque tem quem o faça por ele. Além disso, vais ver que a tua mãe gosta mais assim... Não te esqueças que era ela quem te apertava as botas ortopédicas!...
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
o cavalinho de pau
- Estás a vê-los, Rudi?- Sim, estão ali a comer enlatados e a beber cerveja.
- O.K. Então, já sabes, é chegar lá e disparar a sangue frio, sem contemplações! TA-TA-TA-TA-TA!
- Achas mesmo necessário?
- Claro! Desde que fizeram cá o Campeonato do Mundo de surf, isto parece o penico de Óbidos. Morte ao turismo de massas!
- Mas eles ‘tão a comer sardinhas, Dave! Massas é mais em Itália...
- Cala-te, Rudi. Só tens de chegar ali e dar ao gatilho até ficares sem balas na câmara.
- Mas... eu não tenho balas na Câmara, Dave. A única coisa que tenho na Câmara é o nosso amigo João Rosado, que trabalha lá.
- Sabes, Rudi, acho que essa camisola às riscas está a fazer de ti um verdadeiro Dalton!...
- Dalton? Qual Dalton? O que trocava as cores?
- Não, imbecil. O Averell, do Lucky Luke.
- Olha, por falar nisso, quando é que me devolves o meu cavalinho de pau, o meu Jolly Jumper?
- ...Quando me trouxeres de volta os meus Gormitis!
- Primeiro, o cavalinho de pau!
- Os Gormitis!
- O cavalinho de pau!
- Os Gormitis!
- OU O CAVALINHO DE PAU OU NUNCA MAIS BRINCO CONTIGO NOS DIAS EM QUE NÃO HOUVER ONDAS!...
- Pronto, pronto! Não há-de ser por causa da porcaria do cavalinho de pau que vamos deixar de brincar aos gangsters com as bisnagas!...
domingo, 24 de janeiro de 2010
a bela e o paparazzo
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
efeméride
Completam-se hoje 76 anos sobre a revolta dos vidreiros da Marinha Grande, que protestaram em 1934 contra o Estatuto do Trabalho Nacional. Que tem isto a ver com o surf? Nada, aparentemente. Mas como não me ocorria o que escrever, pus-me a olhar para a estante dos livros, à procura de alguma coisa que me beliscasse.Passei os olhos numa tábua de efemérides e espreitei as ocorrências do dia 18 de Janeiro, que é hoje.
Aprendi umas coisas sobre o corsário Mondragon, o Duarte Pacheco, a capital do Perú, a constituição do Império alemão, o Pólo Sul e até o facto de o explorador britânico James Cook ter descoberto neste mesmo dia, em 1778, as ilhas do Havai.
Os vidreiros, por seu turno, estavam destinados a que alguém elegesse falar sobre eles num blogue de surf, que são coisas (o surf e o blogue), claro está, de cuja existência eles não poderiam suspeitar há 76 anos, até porque tinham mais com que se preocupar - como contestarem o tal Estatuto do Trabalho Nacional, inspirado na Carta del Lavoro do fascismo italiano e que se preparava, então, para lhes subtrair uma catrefa de direitos fundamentais e relegá-los para uma espécie de subordinação canina, sem horizontes. Ou seja, tudo aquilo a que um surfista, verdadeiro amante da liberdade, nunca desejaria submeter-se.
Em 1934, não havia surfistas no nosso país. Mas se imagino que os houvesse e que acendessem numa praia uma fogueira, e tocassem viola, escondendo os olhos sob as guedelhas longas enquanto fumassem cigarros esquisitos, alguém de passagem os denunciaria à Polícia de Vigilância do Estado.
Recaíria sobre eles a mácula da vagabundagem e do anti-corporativismo, por preterirem a solidariedade entre a propriedade, o capital e o trabalho em benefício da solidariedade entre o despojamento e o ócio. O próximo spot, como no caso dos vidreiros, havia de ser o Tarrafal.
Não tenho dúvidas.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
a bela e o surfarazzo
- Então, Marilyn, que carinha é essa? Parece que acabaste de vir da Loja do Cidadão!...- Já sabes que não gosto de ficar aqui plantada, horas a fio, à tua espera...
- ...Mas as ondinhas estavam tão boas!...
- Pois... E eu?
- ...E tu podias fazer ponto cruz enquanto esperavas por mim, amor, ou ir visitar a prisão de onde fugiu o Cunhal, que é tão histórico como tu!... Vá, dá cá um kiss e não te chateies. Temos o resto do dia por nossa conta!
- O resto do dia? É quase noite!...
- Melhor ainda! Vamos para casa e, enquanto eu tomo um banhito quente e trato da minha depilação genital, tu acendes a lareira e metes o chouriço ao lume!
- Sabes, Moura, está-me a apetecer uma cataplana, ou uns bifinhos de champinhons...
- Ah sim?! Então, ‘tá bem. Vá lá comprar os bifinhos ao Intermarché, que o menino empresta-lhe o cartão de crédito. E, se for a menina a cozinhá-los, até lhe ofereço um apartamento num arranha-céus do Dubai e o computador Magalhães, para jogar ao Solitário lá nas alturas!...
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
vento cão
Apesar do frio que assolou o país este fim-de-semana, nem tudo foi mau.A ausência de vento e o sol de sábado justificaram as quase três horas que passei no mar do nosso Cantinho, com uma ondulação aceitável, a funcionar, inclusivamente, à maré vazia.
Já no domingo, o filme foi outro. Despertei com a carcaça do meu valioso hotel ambulante a pelejar com o vento. As fortes rajadas, junto ao Lagide, pareciam decididas a despejar-me pela encosta abaixo e ao meu velho canídeo, que àquela hora já se mostrava bastante ansioso por devolver à natureza a última ceia.
Ter de voar na furgoneta, seria até um mal menor – antigamente, se descia de eléctrico uma rua de Lisboa, desejava mesmo que lhe faltasse o freio, só para ver como era! – desde que não se aleijasse ninguém...
O meu problema consistia primeiramente na higiene do bicho, que me inquietava com as suas bufas premonitórias...
Se o levo para o meio do vendaval, ainda fico sem ele, pensei. Se espero demais, vai acabar por se borrar todo.
Sempre detestei dilemas, porque tenho tendência para a pior saída.
Mas, ali, estava-se mesmo a ver, a única saída era a porta.
Trela enfiada e vamos nós.
Mal vê a rua, já lhe brota da tripa o mal, que trato de pisar, no meio daquela atrapalhação, querendo fazê-lo descer do estribo sem que se magoe.
Uma vez lá fora, o xixi nem sequer alcança o chão, pois o vento rasteiro projecta-o no ar como uma pistola de rega. E os dois croquetes, acabadinhos de cozinhar, abalam a correr pelo terreno arenoso, como ratos assustadiços.
No pára-brisas da Volksvagen ali ao lado, descubro um jovem casal alemão, de quem só conhecia até ao momento as sapatilhas, que tinham deixado a pernoitar cá fora.
Seguram chávenas, que adivinho com chá quente.
Riem.
Sou a sua televisão.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
filomena
Mergulhou as unhas envernizadas na carteira e tirou de lá vinte euros, para dar ao filho adolescente que tinha as calças a fugirem-lhe do cu e cabelo de cão de água. O puto voltou-lhe um agradecimento esforçado e desapareceu com a prancha de surf debaixo do braço em direcção à praia.- Está a ver, senhor António – disse ela, automática, para o empregado de balcão, enquanto vazava sobre a bica o pacote do açúcar – só dão é despesas!
Depois, fitou-me, de soslaio, a sorrir com apenas metade da boca, requerendo a minha cumplicidade.
Eu dispensei-lhe um sorriso formal e chamei o “António”, que não me conhecia de lado nenhum, para saldar a conta. Acabei por sair daquele café na Caparica a remoer na imagem familiar do rosto dela, semi travestido pelos cosméticos e algumas rugas.
Só se fez luz no dia seguinte, quando pensei na Filomena, que eu conheci por aquelas bandas em '86! A dita, vistosa, teria, então, uns 16 anos e sobressaía nuns fotográficos olhos azuis e no volume emancipado dos seios. Era do tipo extrovertido e não tardou a meter conversa com o grupo de amigos que frequentavam naquela altura as ondas da Costa e o Quica Bar, entre os quais me incluía eu.
A Mena era fixe.
Curtia com todos e consentia sem problemas uns apalpões. Mas não tardou a transferir-se para o grupo dos betos, que tinham pranchas brand new, roupinha de marca e estavam lá a semana inteira, porque não precisavam de vergar a mola para comprar peúgas e gilletes.
Em pouco tempo, foi-nos negando os apalpões e, dos lábios dela, já só tínhamos notícias quando vinham, casualmente, beijar o filtro dos cigarros que nos ia cravando.
Depois, aos poucos, evaporou-se. Durante mais de duas décadas, até à data inevitável destas linhas.
As voltas que o mundo dá!...
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
dia d
- Ke bela maneirra de komeçarr o ano! Estamos sofrrendo um invasão, tenente von Lili!- Ya, mein kapitão!... De prranchash e kanoash!
- Ainda porr cima, kanoash! Já não bastavam os prranchash!...
- "Kanoa de vela errguida..."
- Não é horra de brrinkarr, tenente von Lili! Maish uma dessash e vai surrfarr na klorroforrmio!
- Enstschuldigung, mein kapitão! É maish forrte ke eu eshta vontade de serr kantorra!...
- Kale-se! Trrate já de prreparrarr um injecção letal parra eliminarr essesh porrkosh invasorresh! Depoish, poderrá kantarr-lhes o marrcha fúnebrre!
- Ya, mein kapitão! Mash... prrimeirro, prreciso irr ao kasa-de-banho!
- Was?!
- Eshtou enerrvada! E os nerrvosh alterram-me osh inteshtinosh...
- Chaisse! Você só me dá prroblemash, tenente von Lili! Se os seush intestinosh não funkcionam, tem bom remédio: korrta o barriga àquele parrakedishta inglêsh e fika kom os inteshtinosh dele, ke devem estarr limpinhosh de tanto chá!...
- Eshtou a fikarr agoniada!
- Agoniado eshtou eu, kom tantos prranchash e kanoash!...
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Faz lá destas ó Taj!
back to the future (quem foi que se meteu na história das tatuagens?)
- É um prazer vê-lo a trabalhar, senhor Jack Carpenter! Ao vivo e a preto e branco!- Não há tatuadores, lá no futuro?
- Há, sim. Mas, antes de sacrificar o meu pé delicado, decidi regressar aos anos cinquenta, para ver como tudo começou.
- ...Muito bem! Mas olhe, Miss Martel, não há nada de especial nisto. Começou tudo com meia dúzia de malucos, como sempre!...
- Soube que o senhor Carpenter foi o primeiro a tatuar uma mulher!...
- Fui, não: sou! Precisamente esta mulher que aqui está! Agora! Neste momento!
- Uau! Lá, em Portugal, nessa altura, uma mulher tatuada seria um escândalo!
- Onde é Portugal?
- Deixe, senhor Carpenter. Talvez um dia fique a saber, se ainda estiver vivo em '74, ou se, por acaso, tiver de tatuar um mapa no trícipe dum emigrante saudoso...
- É lá para as Espanhas, não é?
- Meu Deus...
- Olhe, Miss Martel, eu é mais geografia anatómica! Se quiser, posso transformar-lhe o umbigo num belo cu de macaco! Sempre fica com um cheirinho a África!...
- Que disparate!!!
- Olhe que os anos cinquenta são muito à frente!
- ‘Tou a ver!... Até as senhoras com blusinhas do género “Uma Casa na Pradaria” vêem sacrificar os seus níveos braços com desenhos que parecem o símbolo do Sport Lisboa e Benfica!
- What?
- Forget it, mister Carpenter. Obrigada pelo macaco, mas vou regressar a 2009, onde a história felizmente é outra.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
feliz natal!
domingo, 13 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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