quinta-feira, 8 de julho de 2010

Aquecimento à maneira!




- Ó Pata, onde pensas que vais?
- Vou apanhar umas ondinhas, tá metrão e meio com alta parede!
- Então e o aquecimento??
- Já fiz, ali com o teu pai...
- Sim, sim... Esse aquecimento do levantamento de copos é bom mas é para a janta. Anda cá que eu mostro como se faz!
- Bem, tu és pró, Carlota!
- Como vês, o aquecimento é tão eficiente que qual neoprene qual quê...
- Eh pá, isto é fixe, as minhas ancas até já rodam como nunca antes!
- Então tás pronto a entrar no mar. Mas olha, levo a prancha do meu pai, que é bué grande!
- O teu pai é bué grande?
- Não, ó caramelo, a prancha! Por isso pensa bem antes de me dropinares, olha que te passo com os fins em cima do lombo...
- Dropi quê???
- Isso, faz-te desentendido... Depois não te queixes!

domingo, 4 de julho de 2010

ai destino

- Eu não acredito! És mesmo tu, Toni?!
- Em carne e osso, queridas!
- Que fazes no Cantinho? Também és surfista?
- Não, graças a Deus. Mas fui convidado para actuar no Bar da Praia logo à noite.
- A sério?! Mas isso é o máximo! Desde os tempos da faculdade que sonho assistir a um concerto teu!
- E por que nunca o fizeste?
- Tenho tido azar... Coincidem sempre com as minhas aulas de forró e kuduro!
- E tu, morena? Também és minha fã?
- Fã?! Deixa-me rir, pá! Se eu tivesse tantas moedas de 5 cêntimos como as vezes que tenho de mudar a porcaria do rádio por causa do “Ai Destino” e outras que tais, era mais rica do que a Oprah Winfrey!...
- Quem?
- Oprah Winfrey! Se dissesse Júlia Pinheiro, já conhecias, não?
- Deixa, Toni. A minha amiga é mesmo assim, um bocado azeda... Mas é boa pessoa!
- Estou a ver... Isso é falta de love, querida! – amour, liebe!
- Falta de quê, pá?! Repete lá isso! Estou desconfiada de que não sais daqui sem comeres areia...
- Desculpa, Toni, importas-te que eu tenha uma conversa à parte com a minha amiga?
- Com certeza, coração. Se não a conseguires amansar, posso chamar o Mikael, que é mais para a idade dela.
- Ouve lá, tu estás parva ou quê? Que ideia é essa de gozares com o homem?
- Não tenho paciência para Júlios Iglesias da Pampilhosa da Serra...
- O.K., mas não precisas de ser grosseira!
- É um bimbo, pá!
- Bimbo, não! Tem músicas bem originais!
- Cala-te! Já foi mais do que uma vez acusado de plágio!
- Isso não interessa! É giro e famoso, e eu vou convidá-lo para vir jantar connosco!
- Ai é?! Então, bom proveito! Eu vou mas é para casa comer o resto do brioche e ver o “Soltem a Parede”.
- Vai! Tu é que perdes...
Desculpa, Tonizinho, mas a minha amiga foi-se embora, porque estava um bocadinho mal disposta. Quanto a mim, estou cheia de fome. Que tal se fôssemos comer um bitoque, ou assim, e depois jogássemos à lerpa?
- À lerpa?! Que ideia! Nem sei jogar à lerpa!
- Óptimo! Fazemos um acordo: se eu ganhar, deixas-me dançar e cantar no teu coro logo à noite!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

the sailorman

- Popeye, querido, estava farta de andar à tua procura! Onde é que te meteste?
- Quê, pá?!
- Vá, não disfarces. Anda dançar comigo.
- Olha esta agora!... Não te conheço de lado nenhum, pá!
- Bolas, Popeye, não me digas que o Brutus te bateu outra vez na cabeça e te provocou amnésia!
- Ó, ó, ó! Alto aí! Se alguém, aqui, dá murros a alguém sou eu! Vá, vai mas é para casa lavar a loiça!
- Sim, mas...
- ANDEX!
- Chiça, nunca te vi tão bravo! Deve ser dos espinafres líquidos que vêm dentro dessa garrafa castanha, não?
- VAI LAVAR A LOIÇA, JÁ TE DISSE!!!
- Uau, que duro que ele está! Ainda gostas de mim, amor?
- Eh, pá, podes-me deixar em paz? Ou preciso de te enrolar um chop ao pescoço?
- O que é um chop, querido? Um cachecol de vison?
- Deixa-me acabar de beber esta bujeca, que eu já te dou o vison! Tenho ali na mala do carro um fio de nylon que é mem’ bom para te atar os pulsos e os artelhos. Com o teu peso de codorniz, vais dar um belo papagaio para eu me entreter quando estiver vento e não houver ondas...
- És tão maroto, Popeye! Adoro as tuas brincadeiras sexuais!

terça-feira, 29 de junho de 2010

regresso ao futuro

Foi como se avistássemos o Willy Fog. Não nos chegavam novas dele há mais de oitenta dias, desde que partira para uma aventura intelectual que Portugal há-de valorizar oportunamente, quando for ministro da educação (para já, não pode, pois não aceitam lá em S. Bento manuéis guedelhudos).
Estacionou a Ford Transit de estimação e tirou lá de dentro os restos mortais do Bom Petisco, do feijão encarnado e de todas as coisas enlatadas, empacotadas e engarrafadas que lhe forraram o estômago durante mais de oitenta dias. Empurrou tudo pela boca do ecoponto, até este ficar mal disposto. Fixou-nos, depois, abananado como um doente que acaba de sair do hospital. Cambaleou até nós e veio queixar-se copiosamente da branquidão e da abstinência. Era um homem morto. Atirar ao mar aquele corpo era um dever. Uma coisa urgente. Vestimos um fato solidário e atirámo-nos com ele.

Foto: Carla

segunda-feira, 28 de junho de 2010

publicidade

Para quem não se apercebeu, houve este fim-de-semana no Cantinho uma sessão fotográfica com o fim de promover a nova colecção de óculos de sol da Von Zipper. Aqui fica a imagem de dois modelos da nova linha.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

o engenho do artista

O futebol é o ópio do povo e a África do Sul não tem dado tréguas a ninguém nos últimos dias, procurando satisfazer-nos com a maior dose de bola que é possível consumir em quatro semanas.
Os media, claro, dão no produto até queimarem os dedos. No caso das televisões, as ferramentas de que dispõem, hoje, para analisar os aspectos do jogo, são de tal modo polivalentes e evoluídas que transformaram já os comentadores desportivos em perfeitos médicos legais, com uma habilidade para dissecar absolutamente enciclopédica, graças, em muito, aos modernos bisturis virtuais e às autópsias que se podem realizar com eles.
Pela parte que me toca, já vomito esse rebéu-béu. Gosto é de ver as bolas a entrar na baliza e posso garantir-vos que, se mandasse na FIFA, aboliria categoricamente a lei do off-side, para permitir que os avançados jogassem à mama, como no futebol de rua.
Já devem estar a pensar “mas que raio de conversa!” e a desconfiar de que algo estará errado: ou o texto ou as fotos.
Pois, nem uma coisa nem outra. É que, depois de ter contemplado as imagens que fiz há uns dias do fabuloso Diogo Gonçalves, concluí o jeito que me dariam aqui o grande Rui Santos e o José Eduardo e o Freitas Lobo e o Querido Manha e outros doutores legais do desporto, para me ajudarem a mastigar aquela finta magistral. Que movessem o rato sobre as imagens para debaterem, step-by-step, como fazem com o Messi e com o Ronaldo, a questão do génio. E assinalassem, com uma bolinha amarela, o auge do “lance”. E sustentassem o seu sábio discurso numa centena de repetições em super slow motion. E esmiuçassem os ângulos. E esmiuçassem outra vez os ângulos. E dissessem tudo. E nada deixassem por dizer. E de tal modo bem dito e tão bem explicado que, no dia seguinte, me fosse impossível não decalcar, em cada onda, com total precisão, o engenho do artista. Dava-me cá um jeitaço!

domingo, 20 de junho de 2010

crime e castigo

- Isto é esquisito, pá! Estou a ver ondas a quebrar na Berlenga!
- Hã?!
- A sério, vê-se bem a espuma!
- Não sejas parvo, pá! Estás a apontar para o cabelo do velhinho aí à frente!...
- Ó pai, diz aqui nas notícias do telemóvel que morreu o José Saramago!
- Olha outro! Acreditas nessa, pá? O Saramago não morre! É como o Elvis...
- ...Ou os Tokio Hotel...
- És parvo ou quê?! Não compares peidos com marmelos!
- Está bem, pronto. Mas também não é preciso ofender!
- Ofender?! Se estou a ofender alguém é o Elvis, que não é um marmelo qualquer!
- Pronto, está bem. Dá-me aí a chave do carro para eu ir buscar a prancha. Quero ir surfar.
- Não vais surfar coisa nenhuma. Só por causa dessa dos Tokio Hotel, agora vais mas é para casa e não sais de lá enquanto não leres o “Caim” e o “Memorial do Convento”.
- Estás a falar a sério?!
- Nunca falei tão a sério! Tens de aprender a lutar pela vida e a questionar o dogma e o mundo capitalista! A partir de hoje, não te compro mais roupa de marca!
- Ai é?! E o que é que eu visto?!
- Desculpem lá, mas, em vez de estarem para aí com essa conversa, que não leva a lado nenhum, porque é que não vão surfar? Eu tiro-vos umas fotos!
- Tiras umas fotos, tu?! A veres ondas na Berlenga, deves tirar boas fotos!... Dá cá a máquina, vá, antes que me dês cabo dela.
- Espera, deixa-me só fotografar a onda daquele bodyborder! Eh, pá, grande manobra!
- O QUÊÊÊÊÊÊ!!! DÁ CÁ JÁ A MÁQUINA!!! COMO TE ATREVES A DESPERDIÇAR-ME A CARGA DA BATERIA COM UM BODYBORDER!!!
- Calma, tio, também não é preciso enervares-te...
- UMA PORRA! CAÍSTE BEM FUNDO! FICAS JÁ A SABER QUE SÓ VOLTAS A PEGAR NA MÁQUINA QUANDO LERES O “ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA” E O “LEVANTADO DO CHÃO”!

terça-feira, 15 de junho de 2010

drogba, canja e um cheiro a "toca"

Entre a panóplia de fotos que resultaram do fim-de-semana comprido, escolhi três. Outras havia. Algumas, até, revisteiras. De surfistas que nem conheço. Mas os surfistas que mais admiro são aqueles de quem sei um pouco mais que o nome. São aqueles que cumprimento com uma certa cumplicidade que vai um pouco para além do elemento líquido.
O primeiro clichê é do nosso Quim Moura, que, quando se põe em cima duma onda, trata-a como se o mundo fosse acabar naquele instante. No caso vertente, talvez se vingasse dum tal Drogba, que o dropinara infamemente na direita anterior (lembras-te, "Corvo"? – eu vi tudo lá de cima, através da Canon. Mando-te as provas por e-mail, caso queiras meter o cão em tribunal).
O segundo momento é do nosso Rui Lopes, que, para apanhá-lo dentro de água, é preciso o céu cair-nos em cima. Ou porque vai comer uma canja; ou porque vai passear o cão; ou porque a avó faz anos; ou porque vai ali e já vem; ou porque ‘tá crowd; ou porque agora ‘tá a vazar; ou porque "Apetecia-me ‘tar era nas Maldivas...”. Bom, no meio das cem cabeças que, no último sábado, enxameavam o Cantinho, lá consegui miraculosamente descobrir a dele (cuidado com essas manobras, puto, não vás vomitar o raio da canja!).
Por último, um bom exemplo de como tirar o melhor partido da maré totalmente vazia (que todos desprezam) e dos close outs: o nosso “Isca”, vingando, no Cantinho, ao final da tarde, com um belo drop a cheirar a “toca”, o dia de trabalho de sexta-feira (a ponte foi só para alguns... Mas certas ondas também... E com muito estilo!).

terça-feira, 8 de junho de 2010

à procura de nemo

Há dias encontrei este aquário com estes dois espécimes. Alguém sabe se algum deles é o Nemo?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

da pesada

- Hey, Alex, tu dropinar mim?!
- Oh, iú are dere, David?
- Eu estar aqui, sim, Alex, e tu fingir não ver mim!
- Iú are dere rili, David?
- Hey, Alex! Não brincar! Não gozar mim!
- Oh, iú are rili dere, David!
- Tu grand’ malandro, Alex! Eu doer costas e barriga e tu aproveitar para dropinar mim!
- Camone, David! Ai dont dropineite frends!
- O.K. Tu esperar só 10 minutos e eu fazer take-off perfeito e ultrapassar tu!
- Du iú know de song of Jorge Palma “Deixa-me Rir”, David?
- Não gozar mim, Alex! Eu comer e beber muito no teu rulote! Meu barriga pesar um tonelada! Eu não sentir muito bem...
- Uót?! Iú dont mine iú ont to vomiteite de fud ai meide to iú!
- Yes, Alex, eu precisar vomitar e fazer cocó!
- Aguenteite iorself a litle bit more. Dont du shit intsaide de uótar. Give mi ior hend. Ai uil teike iú rapidly tu de bassrrum.
- Oh, faster, faster, Alex! Eu não aguentar mais! Eu fazer diarreia no wetsuit!
- No, David, No! Not íare, méne! It is not ecologic!
- PPPPRRRRRRR... TTTTRRRRAAAACCCC... PRRRRRRRRRR... TTRRAAACC... TRRRAAACCCCC...
- Oh, mai gode! Iú are a pig! Ai uil never give iú sup of de stone eni more!...

Fotos: Joana Ralha

terça-feira, 1 de junho de 2010

people

1. Os amigos são para as ocasiões
O nosso Pedro “Oli” voltou ao Cantinho no último fim-de-semana, onde já não aparecia, pelo menos que eu o constatasse, desde a última celebração da República.
Talvez por se encontrar notoriamente mais elegante (parece que, agora, só come alfaces e bebe Ice Tea), não lhe apeteceu alombar, desde a Costa da Caparica, até à Capital da Onda, com o seu clássico bacalhau à Tom Blake, que pesa cem quilos.
Quem acabou por pagar as favas foi o bom do Saraiva, que numa espécie de serviço personalizado ao domicílio, lá apareceu no seu Mercedes magnânimo, de cuja bagageira a cheirar a wax fez emergir o brinquedinho que faltava ao Oli para ser um pouco mais feliz naquele dia. Os amigos são para as ocasiões...


2. Filho de peixe...
Single fins e uma carrinha “pão-de-forma”: se forem à página 75 da “História do Surf em Portugal”, elas estão lá. Nada que espante, dado o tema do livro. Mas não é de objectos que vos venho falar, sob o risco de contradizer o título principal deste post. Sugiro, portanto, que espreitem as caras a preto e branco de quem lá aparece e exercitem o vosso talento de detectives para descobrirem qual daquelas criaturas viu a sua jovem cabeça transformar-se na impecável “pista de aterragem” do nosso amigo Alberto Reis.
Entre um momento e o outro, passaram, seguramente, milhares de aviões. O que não passou foi a febre do mar. Essa doença benigna de que o nosso herói da página 75 já tem herdeiro, a comprovar pelo abraço cúmplice, depois dumas ondas em família. Filho de peixe...


3. Afinal, quem é a noiva?
Imagina dez raparigas, que não conheces de lado nenhum, a comemorarem uma despedida de solteira num surf camp. Imagina que és o Sérgio “Isca” Ramalho e que vais lá estar. Que comes gambas e mexilhões na mesa ao lado, utilizando os dedos todos, como um bárbaro, enquanto as moças, afinal muito bem educadas e sem sinais de devassidão, limpam aristocraticamente os lábios aos guardanapos e falam baixinho como as freiras.
«Boa noite, amigas! Vamos lá a ver uma coisa: afinal, quem é a noiva? Ah, és tu! Então, ‘bora lá fazer um brinde. Toma lá este copo de vinho e bebe isso tudo duma assentada quando eu disser. Um, dois, três: viva a noiva!» (glu, glu, glu glu...).
Findo o discurso, maior que o sermão de Santo António aos peixes, e terminada a garrafa de vinho que só o orador bebeu, as moças foram fazer óó. Nunca se viu um homem gastar tanto latim para nada.


4. Mike
Se Peniche é um local famigerado pela abundância de peixe, também o é pelos bifes, os quais, pelo menos desde o início dos anos 60’, partilham com a fauna local o mar que envolve a península, desde o Medão ao Baleal, passando pelo Cabo Carvoeiro.
A sua presença deixou, por isso, de constituir uma novidade há já muito tempo. E, apesar de nos deixarmos, muitas vezes, incomodar com uma certa ocupação territorial costeira, o que nos advém, talvez, duma crescente falta de espaço, não daríamos, certamente, preferência a uma Capital da Onda orgulhosamente só, até porque, se fechássemos a porta do quintal, a cidade assim promovida nem sequer existiria.
Mike arribou a meio da semana, vindo de Bristol (Inglaterra), com três pranchas e um saxofone. Conheci-o num jantar imprevisível, depois de o ter dropinado três vezes naquela tarde de sexta-feira, sem saber que se tratava da mesma pessoa. Constatei esse facto na manhã do dia seguinte, quando o vi aparecer no Cantinho com uma bela twin fin azul, descaradamente familiar...
Por infortúnio, quis o destino, e os amigos do alheio, que regressasse sem ela à Grã-Bretanha, após um descuido fugaz. Para compensar, levou na bagagem a nossa amizade e vontade de sobra para voltar um dia à Capital da Onda. Aloha, Mike! Nice to meet you!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

apanhados

- Nunca mais como feijoada! Estamos fartos de caminhar e ainda me pesa o estômago!
- Realmente, não foi boa ideia irmos almoçar ao “Febras”! Logo hoje, que estão altas ondas!
- PRRRRR!...
- Dá-lhe!
- Dezoito-dezassete, ganho eu!
- PRRRRRRRRR! Dezoito igual! Acaba aos 20!
- O peido é o sal da vida!
- Não exageres! O surf é que é!
- Olha que não! O surf, por exemplo, afasta-te das mulheres.
- Como assim?
- Porque é que pensas que gajos como tu e eu permanecem solteiros? Conheces alguma mulher que goste de ser suplente duma prancha?
- E em que é que o peido é melhor que o surf?
- O peido une o que o surf afasta. Segundo um sexólogo polaco muito conhecido, a partir do momento em que uma mulher te consente um peidinho debaixo dos lençóis, é tua para o resto da vida!
- Engraçado, nunca tinha pensado nisso! De qualquer modo, acho que peidar-me à frente duma mulher não é a minha onda!
- Ora aí está a segunda razão pela qual te encontras solteiro!... PRRRRR! Dezanove – dezoito!
- Não há dúvida: és o verdadeiro José Mourinho do peido!
- Obrigado, amigo. Por falar nisso, sabes que o Mourinho também foi surfista?
- A sério?!
- Quer dizer, fazia windsurf no rio Sado, no final dos anos ‘70.
- Como é que sabes?
- Li, em tempos, uma entrevista dele em que falou da sua juventude em Setúbal e referiu que um primo que morava no Guincho lhe tinha pegado o vício do windsurf durante umas férias.
- ‘Tá boa, essa eu não sabia. Então, e depois? deixou o windsurf?
- Diz que, um dia, depois de comer uma feijoada, foi para o Sado surfar e sentiu-se mal. Teve uma congestão e borrou-se todo. Diz que foi a única vez na vida em que se borrou todo! Windsurf nunca mais!
- Quem diria, o “Special One” todo borrado! Terá sido daí que lhe veio a cagança?
- Com a digestão não se brinca, amigo!
- ... Especialmente, depois de uma feijoada! Podes dar o peido mestre!...
- Ah, pois dou! PRRRRR! Vinte-dezoito! Ganhei!!!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

vá lá, sem desculpas...


Olá Amigo,
Vamos juntar 2000 sócios para o SOS Salvem o Surf ser uma ONGA!
Por favor assina e divulga a petition online por todos os possíveis interessados,
http://www.petitiononline.com/SOS2000s/petition.html
O surf tem vindo a ser ignorado na maioria das obras costeiras portuguesas, levando à perda de cerca de uma onda de qualidade mundial por ano. Já perdemos 10 ondas de qualidade mundial, o que já lesa o potencial de desenvolvimento económico de Portugal em cerca de mil milhões de euros por ano.
O SOS Salvem o Surf http://www.salvemosurf.org/ nasceu de um movimento cívico, não radical e de grande qualidade técnica, com o fim de proteger, preservar e estudar o surf, potenciando assim o desenvolvimento sustentável de Portugal. O SOS Salvem o Surf respeita todas as comunidades de surfistas e apoia com igualdade todos os desportos de ondas, fiel à raiz da palavra “surf”, que significa rebentação das ondas. O SOS Salvem o Surf aceita todos os amigos do surf e todo o apoio, incluindo donativos e voluntariado que estes lhe queiram oferecer.
Ajuda o SOS Salvem o Surf a ser uma ONGA para este:
- aceder aos Estudos de Impacte Ambiental das obras costeiras,
- participar na legislação ambiental costeira,
- solicitar análises sobre a qualidade ambiental,
- assistir processos de crime ambiental,
- receber mecenato, apoio estatal e tempo de antena.
Aloha, obrigado,
o SOS Salvem o Surf

quinta-feira, 13 de maio de 2010

um caso humano 2

Quinta-feira da Ascensão, feriado municipal aqui na terrinha e em muitos outros locais, dia que poderia ser passado em Fátima, já que, este ano, coincidiu com o 13 de Maio e com a vinda do Papa ao nosso país.
Os mais crentes que me perdoem, mas o Santuário da foto não rivaliza com o de Fátima?... Sim, troquei um pelo outro. Não fariam o mesmo, ainda que as ondas não estivessem grande coisa?
Talvez, ao ver esta foto, o Papa não nos condene...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

um caso humano

- Em nome do Cantinho da Onda e da Confraria da Liberdade de Credos, vimos humildemente oferecer a Vossa Santidade esta camisola com a estampa do nosso lema hedonista!
- Muito obrigado, meus filhos! Mas vede: a religião católica é a única que salva!
- Não cremos, Santo Padre. Ainda no Verão passado salvámos da morte por afogamento uma mão cheia de banhistas!
- Muito bem, rapazes. Mas vede: isso só aconteceu porque o Senhor estava convosco.
- Lá isso é verdade, Eminência! O senhor Valente estava connosco e ajudou-nos a evacuar os acidentados no tractor de limpar as praias. Se não fosse o senhor Valente, tinham todos batido a bota! Essa é que é essa!
- Um milagre, meus filhos! É o que se chama a isso!
- Milagre?! Queira perdoar-nos, Santo Padre, mas milagre é o Benfica ter sido campeão; milagre é Vossa Santidade estar entre nós e o governo ter concedido uma tolerância de ponto, permitindo que o mar salgado nos abençoe durante o horário de expediente!
- Isso quer dizer que não ides a Fátima?
- Não nos condene, senhor Padre, mas preferimos o santuário do Baleal.
- Onde fica isso?
- Ao pé de Peniche. Não conhece, pois não?
- Já ouvi falar.
- A sério?! Deixe-se de brincadeiras, Santo Padre.
- Não estou a brincar, meus filhos. Um dia, escutei casualmente a conversa telefónica de uma universitária portuguesa, do curso de Engenharia do Ambiente, que se encontrava em Roma a estudar os problemas de canalização da Capela Sistina.
- E então?...
- E, então, ela confessava emotivamente as suas saudades de Portugal e dos amigos de Peniche. Um caso humano que me tocou profundamente o coração.
- Caramba, Vossa Eminência só pode estar a falar da Pek, precisamente essa moça que está aí de camisola verde!
- Virgem Santíssima, é ela mesmo! Pek, você conseguiu voltar para Portugal?
- Olá, senhor Ratzinger. Eu sei que foi Vossa Santidade quem patrocinou o meu repatriamento. Estou-lhe muito, muito grata, pois naquela altura eu estava sem um único cêntimo. Quero, por isso, expressar-lhe o sentimento de honra que me invade presentemente, por saber que o meu governo financiou com o dinheiro de todos os contribuintes a sua visita ao nosso país. Agora, falando de assuntos mais sérios: como se encontra a canalização da Capela?
- Está bem melhor, Pek. Sobretudo, desde que o cardeal Winowsky seguiu o seu conselho e deixou de deitar para a sanita os folhetos do Lidl e as cotonetes.

terça-feira, 11 de maio de 2010

seis milhões e a feijoada de chocos

Este é o glorioso plantel do Grupo Desportivo de Peniche, fotografado, há cerca de 36 anos, no já extinto Campo do Baluarte, junto à muralha da China. Perdão, de Peniche de Cima.
Reconhecem, na foto, o terceiro jogador, em baixo, a contar da direita? Pois, vê-se mal, mas posso revelar-vos que se trata, tão somente, do deus que levou ao rubro no último domingo mais de seis milhões de portugueses!
Jorge Jesus, na altura com os seus 20 anitos, ainda sem cabelos brancos para pintar, tinha acabado de deixar o Sporting, onde aprendera a fazer omeletes, e encetava assim uma carreira de futebolista que o levaria a passar por uma autêntica caldeirada de clubes(doze!) até arrumar as botas, ao serviço do categórico Almancilense, já na segunda metade dos anos ‘80.
É preciso lembrar que, na época 1973/74, o Peniche era um clube com aspirações primodivisionárias, o que ficou demonstrado com um brilhante terceiro lugar na então II Divisão Nacional, feito apenas suplantado dois anos antes, com a obtenção de um segundo posto e respectiva disputa da liguilha de acesso à I Divisão, que só não alcançou por uma unha negra.
Quanto a Jesus, debandaria, pouco depois da Revolução dos Cravos, rumo ao Algarve, para representar o Olhanense, seguindo-se a já referida romaria pelo território nacional. Supõe-se, no entanto, que se houve terra que cativou o actual treinador do Benfica e messias de Portugal, foi a península do Oeste, onde muito recentemente comprou uma casa para vir de vez em quando comer com os amigos a sua feijoada de chocos.
Caso não acreditem, perguntem à Zezinha (que é colega do filho dele e correspondente da “Caras”), ou ao Alberto Carvalho, que ainda guarda lá em casa um chaço amarelo dos anos '70, grosso como um tronco, onde ele e o Jesus desciam umas no Baleal depois da feijoada de chocos.
Sem hesitarem duas vezes!...

terça-feira, 4 de maio de 2010

um feliz acaso

Durante uma breve incursão pelo Molhe Leste, no último domingo, tive o privilégio de me cruzar com uma prima do Fernão Capelo, que se encontrava de vigia no pontão, com os olhos voltados para a doca-pesca, talvez a pensar romanticamente numa sardinha ou numa anchova.
Aproximei-me em passos curtos com a “arma” em punho como fazem os caçadores. Quando pressenti que os olhos dela me diziam “se dás mais um passo, dou de frosques”, pousei no chão levemente um joelho, como aprendi na tropa para disparar a G-3, e zás, enterrei o dedo no obturador. A parte melhor foi quando a bicha decidiu, num ápice, mudar de ares e me obrigou a manejar a câmera aos ésses, em busca dum enquadramento que, por sorte, sucedeu uma vez em dez disparos continuados. Como não sou fotógrafo, fiquei todo contente, pois percebi que fotografar uma gaivota em voo, com uma tele-objectiva, é como tentar caçar uma pulga com luvas de boxe.
Ao ver a imagem, lembrei-me do clássico do Richard Bach, que li, por feliz acaso, para aí há umas duas décadas, durante um fim-de-semana em que pernoitei fortuitamente num quarto onde se encontrava esse livro. “Fernão Capelo Gaivota” parecia estar lá de propósito, e, à semelhança de “O Velho e o Mar”, de Hemingway, constituiu para mim uma bela e inesquecível lição de vida.
Em 1973, três anos após o lançamento da obra, o realizador de cinema Hall Bartlett levà-la-ia à tela, com banda sonora do inconfundível Neil Diamond. O tema “Be”, que vos proponho escutarem, tem a minha dedicatória para todas as gaivotas que levam, como Fernão, perdidamente a peito a paixão de voar.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

terça-feira, 27 de abril de 2010

naquele tempo é que era bom!

Naquela altura, as tábuas de engomar eram um autêntico objecto de culto e faziam as delícias das donas de casa em todo o planeta. Destacavam-se, sobretudo, por uma enorme versatilidade. Eram óptimas para passar lençóis e atoalhados. E transformavam-se facilmente em tampos de mesa, o que dava um jeito extraordinário às famílias numerosas.
As nossas avós não se atreviam a viver sem elas, sendo, então, bastante comum em todas as casas a existência de quatro ou cinco exemplares, cuja compra o próprio estado financiava, para promover o brio feminino e a felicidade do lar.
Este fenómeno resultaria, em pouco tempo, numa admirável mutação atlética da mulher (que nem Darwin explicaria), dotando-se então a fêmea humana dum porte invulgarmente saudável, do tipo daquele que se vê na imagem (obrigado à dona Teresinha, que tem hoje 90 anos e nos cedeu, para ilustrar este texto, a fotografia onde posa, em jovem, ajoelhada sobre a sua companheira de sempre).
Teresinha Ayala, que é hoje, como todos sabem, a presidente honorária do Clube das Tábuas de Engomar da Península de Peniche (CTEPP), não conseguiu esconder a sua emoção quando a contactámos para lhe dizer que pretendíamos publicar no blogue uma breve nota sobre a vida doméstica do seu tempo: «Naquela altura é que era bom!», referiu, «fartávamo-nos de labutar, mas, com tábuas daquelas, as colchas de linho e os cortinados da sala não ficavam com um único vinco! E, quando dávamos por nós, parecíamos o Tarzan Taborda e até nos crescia o buço!».
Ah, grande Teresinha!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

febre do sabado de manhã

Ninguém duvida de que o sábado foi uma grande invenção da humanidade, melhor ainda do que certo marisco, como as sapateiras, de que gosto muito, mas que considero mal concebidas, por causa dos membros desproporcionados, pois o prazer que nos traz a deglutição duma perna gorda é inversamente proporcional ao duma pequena, que parece clonada dum aracnídeo.
Duma coisa estou certo: se todos os dias fossem sábado, seríamos seguramente criaturas muito mais felizes. Experimentaríamos uma espécie de brilhantina na alma e, como o John Travolta, dançaríamos benevolamente enfebrados entre uma bola de espelhos dependurada no cosmos, a milhões de quilómetros, e um palco de ondas com sabor a sapateira só de pernas gordas...

domingo, 18 de abril de 2010

a lição

- ´Tá quieto, Edgar, não me enfies o bico no ouvido, que isso faz cócegas!
- É para te limpar essa cera, para ver se começas a ouvir melhor a voz da tua consciência!
- Obrigado, Edgar, mas eu oiço muito bem. Vá, pára com isso!
- Envergonhas-me, Quim Zé!
- Ora essa, porquê?
- Prometeste aos teus amigos que lhes pagavas umas cervejas no dia teu aniversário e não cumpriste. Tens 41 anos, Quim Zé! Está na altura de seres responsável e não fazeres promessas falsas!
- Eles a mim também nunca me pagaram nada!
- MAS TAMBÉM NUNCA TE PROMETERAM NADA!
- AAAAAIII, ‘tas-me a enfiar o bico na trompa de eustáquio! Isso dói, porra!
- Anda, maricon, vai buscar a carteira e chama os teus amigos para lhes pagares uma rodada.
- Pago o caraças, é que pago!
- Vou-te contar uma história, para ver se acordas, Quim Zé: quando eu era jovem, um caçador apanhou-me, cortou-me as guias das asas e atou-me a uma árvore da sua horta à beira da estrada, onde me manteve preso durante um ano. O cão dele prometeu libertar-me. Mas, entretanto, apareceu uma cadela que lhe deu a volta ao miolo e ele partiu com ela, desprezando a promessa que me fizera.
- As cadelas são todas assim! Só servem para desvairar o parceiro e corrompê-lo...
- Não brinques, Quim Zé! O cão não soube honrar a sua palavra e, se não fosse o facto de, naquele dia, teres estampado o camião e derrubado aquela árvore, provavelmente eu ainda lá estaria, aprisionado a ela. As promessas são para cumprir! Portanto: se queres continuar a ser meu amigo, não sejas cão!
- Pronto, está bem, vou anunciar no “Cantinho da Onda” que, no próximo fim-de-semana, podem todos aparecer no Bar da Praia, para umas bujecas e uns morfes à pála cá do Quim Zé! Estás satisfeito, Edgar?
- CRUARC!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

sininho

Surfar é um "lifestyle", meu Estilo de Vida, que mantém me em Harmonia com a Natureza, ajudando a ser pessoa mais perceptiva em encontrar beleza nas "coisinhas", me apaixonando todo dia pelo céu, em ser quase azul entre o mar, e se ver brincando em asas, e se ver voando com águas sob os pés que só a imaginação é capaz de nos dar.
Tenho os pensamentos longos transcritos em versos curtos, não abuso da palavra, não me estendo em assuntos; só acrescento amor em tudo que faço, e todo amor vem da gana da vida, Pela Vida......da onda não dá de saber do começo ou do fim até aonde irá ou de como seria se durasse mais um dia....

Texto por : Patricia Miranda

surf aveiro

Aqui vai um dia perto de Aveiro...

domingo, 11 de abril de 2010

algarve do oeste

Se o Cantinho tivesse postalinhos destes para se promover no mercado turístico, seria um tesouro para uns e uma calamidade para outros.
Quem lá esteve este fim-de-semana e gosta de banhos piscineiros e de nutrir-se de sol regressou a casa com a sensação de lhe ter saído a sorte grande.
Quem, por outra, chegou de pranchinha para o ritual do costume foi pior do que cólicas ou choques eléctricos.
Um autêntico cenário à algarvia, que fiz questão de registar do topo da Praia das Cebolas.
De lá se avistavam o amigo Manel a mergulhar de chapão; o primo Jaquim a apanhar caranguejos; a tia Antónia a fazer croché e a comer rissóis debaixo do chapéu às riscas; o Zé Maria a coçar as partes e a contar anedotas; a francesa com o biquini para espantar a branquidão; o Pedrinho nas rochas a fazer xixi; o Filomeno a jogar com as primas às raquetes; o Zé com o cão; o Vitorino a apanhar conchas e o Tó um escaldão.

Dedico este post ao nosso amigo Isca, que decidiu cirurgicamente ficar constipado este fim-de-semana. Há gajos com sorte...

segunda-feira, 5 de abril de 2010

então, e o surf?

Encontrar um surfista no Alto Alentejo é tão improvável como avistar uma azinheira em Peniche.
Fui descobri-lo atrás duma banca de velharias no mercado de Estremoz, com um aspecto bem nutrido e sem o típico rosto bronzeado nem assaduras no pescoço, pois já se deixou do fato de neoprene há uma data de tempo. Lembram-se dele?
Mesmo para quem não conheça o Rebelo, é quase certo ter deparado mais que uma vez com aquela carrinha azul e branca (na fotografia), em tempos plantada religiosamente aos fins-de-semana no Cantinho.
Quase, aliás, me atrevo a afirmar que seria mais fácil, naquela altura, ver um porco a andar de bicicleta do que o fanático do Rebelo a andar dali para fora.
Mas a vida tem destas coisas, e, ao que parece, houve outros apelos, como o negócio das antiguidades, que ganhou asas e se expandiu para outros locais, como Setúbal ou Estremoz, onde já o tinha encontrado há uns tempos.
«Então, e o surf?», lá atirei, quase convicto de estar a enterrar-lhe impiedosamente um dedo na ferida. «Talvez um dia. Ainda tenho na carrinha o fato e a prancha», consentiu, depois de ter começado por afirmar polidamente que o surf não lhe dava de comer.
«O fato já deve estar desintegrado e a prancha cheia de bolor», brinquei. Ele riu-se. A mulher, que o acompanha nestas andanças, diz incitá-lo, em domingos de sol, a ir à praia. Mas ele, nicles. Está ciente que um surfaólico em regime de abstinência não vai à praia, sob pena de recaída.
Ou tudo, ou nada, pois claro! E se a opção é comer, em vez de surfar, posso assegurar-vos que o homem escolheu, decididamente, o caminho certo, pois só o missal do século XIX que vendeu a um espanhol, enquanto falávamos, rendeu-lhe o bastante para comer lagostas o ano inteiro.

terça-feira, 30 de março de 2010

aula de surf

- Este dia vai mudar para sempre a tua vida, Rantanplan! Nunca mais serás o mesmo!
- Vais-me fazer uma operação ao cérebro?
- Não sejas estúpido! Vou-te ensinar a deslizar numa onda! Garanto-te que é muito mais divertido do que aturar os Dalton!
- És tão querido, forasteiro! Sempre desejei andar num trenó! Só não percebo uma coisa: onde estão as renas?
- Quais renas?! Não há renas nenhumas! Eu empurro-te e tu pões-te em pé, percebes?
- Não! Normalmente, quando se empurra alguém, a pessoa cai...
- Ouve, Rantanplan: tu vais deitado em cima da prancha; quando vier a onda, eu empurro-te e tu pões-te em pé. Já percebeste?
- Por que razão me falas nesse tom tão arreliado? Ah, já sei! A rena sou eu! E as renas admoestam-se! Mas, olha, não sei se vou ser capaz de puxar este trenó. Tem uns apoios um bocado esquisitos. Parecem barbatanas!...
- Isso não é um trenó, imbecil, é uma prancha de surf! E não são barbatanhas. São quilhas!
- Sim, claro, vê-se bem que o trenó é falso. Tens razão para te aborreceres, forasteiro. Onde o compraste? Nos chineses, não? Se calhar, ainda está na garantia...
- ... Bem, vamos mas é mudar de conversa antes que eu te faça uma amona. Veste este fato, se fazes favor.
- O quê?! É isso que tu fazes aos cães que vêm contigo andar no trenó?!
- "Isso" o quê?!
- Arrancas-lhes a pele, como se fossem coelhos!!! COIOTE! Bem me cheirava que essa mosquinha por cima do queixo era marca de vilão!
- Não digas asneiras, Rantanplan. É a tua primeira aula de surf. E, se não queres ter frio, tens de vestir este fato!
- Não me mostres outra vez esse troféu sanguinário, cobói insolente!
- Cuidado, vem lá uma oooooonnnnnnndaaaa!
- Glgl, glglglg, glglgl...
- Rantamplan! Desmaiaste! Vou-te fazer uma massagem cardio-torácica para te reanimar. Vomita essa água!
- UUAAAAARRRRRCCCCC...
- Estás bem, bicho?
- Hã?! Onde é que eu estou? Quem és tu, Neptuno? Quem me deu este banho mais rápido que a própria sombra?

O iluminado


Já que gostaram muito da minha primeira não resisto em partilhar mais esta foto tirada no final do ano passado, recorda-me um grande dia de Surf com os amigos e com final de tarde que vos presenteio...


Boas ondas ;O

sábado, 27 de março de 2010

save the planet

Para miudos e graúdos vale a pena visitar este site:


http://www.animalssavetheplanet.com/media/swf/design_video.swf?vidNumber=1

sexta-feira, 26 de março de 2010

Um tributo ao Cantinho da Onda


Boas..

Venho partilhar com todos vós uma foto que tirei ao Cantinho..

Vejam como está a ser abençoado..

Votos de Boas Ondas..

quinta-feira, 25 de março de 2010

friendship

Há males que vêm por bem. Pode dizer-se que este vídeo aconteceu por acidente, já que as imagens foram recolhidas durante uma incursão forçada pela Marginal, ao encontro da carrinha da nossa Raquel, que tinha ficado a dormir (o veículo, não a dona) numa berma a sul do Cabo Carvoeiro, por falta de combustível (uma história que, oportunamente, ela poderá contar-vos).
A tentativa de resgate foi infrutífera, pois a carripana não quis dar sinal de vida, traumatizada talvez pelo frio nocturno e pela angústia da solidão. Por lá havia de permanecer umas horas mais, até que um reboque a viesse salvar do sono profundo, como n’A Bela Adormecida.
A nós (junte-se a Té e o Isca, chofer de serviço), restou-nos voltar para o Baleal e confortar a pesarosa Raquel, que doravante não voltará a fiar-se na ideia de que uma Volkswagen mais velha que ela consome 2 litros aos 100’. Gajas...

quarta-feira, 24 de março de 2010

dia da limpeza voluntária

No passado sábado, juntaram-se, em todo o país, grupos de voluntários para limpar Portugal das lixeiras que vão nascendo desordenadamente por todo o lado.
Uma acção de louvar, e que deveria ser feita todos os fins de semana, não uma vez por ano.
Ao ver as imagens na televisão, percebi que algo estava errado.
As pessoas que estavam a recolher o entulho tinham idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos (muito poucos), e depois pessoal a partir dos 25 até aos 77 anos.
A pergunta que faço é: onde estão os jovens? Esses que vão ser o futuro do país, e que deveriam ser os primeiros a inscrever-se e a participarem neste tipo de eventos, para perceberem o que estamos a fazer ao meio ambiente e assim evitar esse mesmo erro.
Claro, são jovens... E sempre é melhor beber uns copos à noite e dormir de manhã do que levantar cedo e ir ajudar o pessoal a apanhar lixo de madrugada.
Aqui fica o meu apreço pela Té e pelo o Quim, pois sempre que acabam uma surfada vão limpando as praias por onde passam.
Essa imagem que tenho deveria ser seguida por todos nós!!!
Por isso, apelo: sempre que se termine uma surfada, que cada um de nós limpe um pouco o nosso Cantinho.


ben harper do oeste

O empregado da loja de instrumentos musicais tirou-lhe as medidas à cabeleira étnica e perguntou-lhe: «viaja muito de avião?». Eu, que testemunhava o acto solene, ainda esperei uma resposta jocosa, do tipo: «Sim, sim. Olhe, quando sair daqui, vou no meu jacto particular para a Jamaica, onde me espera um concerto».
Mas não.
À pergunta, que pretendia descortinar o tipo de saco ideal para guardar a guitarra que tinha acabado de comprar, respondeu o nosso Ben Harper do Oeste que, sim senhor, viajava muito de... autocaravana!
«Ah, pois, ‘tou a ver, tu és daqueles que trabalhinho ‘tá quieto, queres é violas e vadiagem”.
Isto é o que pode ter pensado o empregado da loja, que tinha cara de pai de filhos e de quem sabe muito bem que todos os músicos que não viajam de avião são criminosos que tocam no metro ou na Feira da Ladra e arrumam uns carros para comprarem estupefacientes.
Por isso mesmo, pôs logo de parte a possibilidade duma coisa cara como o carbono e lá lhe trouxe uma caixinha vagamente almofadada, de meia dúzia de euros, que era mais do que suficiente para a "senhora" poder andar aos tombos na Ford Transit, tipo a fulana dos Ferrero Rocher.
Cuida bem dela, Ambrósio!...

Foto: Liliana

segunda-feira, 22 de março de 2010

Os clips que se seguem não são aconselhados a crianças, idosos e cardíacos!

... não vale cair...

quinta-feira, 11 de março de 2010

o naufrágio

Surfar num sítio com boas ondas é por si só um momento mágico, mas se estiveres na água e pensares que, por ali, há 200 anos atrás, naufragou um navio e que se afogaram 128 pessoas - na sua grande maioria Incas -, e se tiveres a cabeça completamente fo#%#da, esse lugar fica com uma energia que é dificil descrever. Quando estiverem com a cabeça f%#%da, falem comigo que levo-os lá a surfar.

Foto - Armando Agostinho

terça-feira, 9 de março de 2010

milagre da salvação

O último domingo esteve quase a transformar-se num apocalipse.
De manhã, antes de sair de Lisboa, ainda pensei se valeria a pena a peregrinação de cem quilómetros até Peniche. A ausência de vento e o santuário da Caparica ali tão perto balancearam-me. Mas a ideia de que a enchente, a meio da tarde, traria bom surf à Capital da Onda acabou por guiar-me, cheio de fé, até ao Cantinho.
Já no local, perdi o tom espirituoso. O vento de sudoeste até começou por indiciar a aparição de qualquer coisa na Prainha ou nos picos seguintes, a caminho da Almagreira, o que não passou de crendice forçada.
Baía, nada. O Cantinho, também, a pecar por pequeno e desordenado.
O tempo a esgotar-se e eu descrente, sem perspectivas de poder comungar, no meu domingo surfisticamente religioso.
Ao fim da tarde, e de muito vai-e-vém numa procura desesperada do que não havia, lá repisei na minha receita redentora: mau é no rio! (ou: não surfes amanhã o que podes surfar hoje, mandamento de que é especialista um amigo missionário, chamado Isca).
A Té e o Pata solidarizaram-se. Houve, ainda, o acto suis generis de quem se cobriu de neoprene para se ir banhar nas mesmas águas, como o messias no Rio Jordão; e até o Rui Lopes, que naquela tarde tinha deixado a bisnaga em casa, resolveu brincar aos realizadores de cinema e comungar connosco naquele milagre da salvação. Em nome do pai, do filho e do espírito santo, amén.

Cliquem para ver o filme:






sexta-feira, 5 de março de 2010

um dia clássico

Ontem, fui para o trabalho no meu Isetta de 1955, que ficou todo contente por sair da garagem, de onde já não saía desde a última vez que de lá tinha saído.
Como é um carro espaçoso, pude levar comigo o longboard, já a pensar numa escapada até à Linha, no período do almoço.
Não encontrei sinal de vida junto à praia, o que me deixou felicíssimo, pois cada vez que levo o brinquedo fica tudo a olhar, como se avistassem um OVNI.
Dado que estava clássico, fiquei um bocadinho desnorteado, assim a modos que: “Eh pá, não acredito nisto”. Eu a olhar para o mar; o mar a olhar para mim; o Isetta, imóvel, semi confuso com a aquela indecisão dilemática; e a marmita da sopa e a sandes caseira a bradarem de dentro do saco térmico:
- Eh pá, deixa mas é a porcaria do surf, que a água ‘tá fria à brava, e vem mas é curtir o caldo verde e o papo-seco com chouriço, méne!
Então não é que, sem querer, dou comigo enfiado no raio do Isetta a ouvir a M80 e agarrado à marmita! As ondas, ali, a avançarem para mim, a cuspirem-me salmoura em cima, e eu, meio “masoq”, meio cobardolas, a desprezá-las de barriga cheia, enquanto tirava a fotografiazinha ao bacalhau com o carro envolto nele, para pôr no blogue a acompanhar esta história. Eu, naquele vergonhoso papel de menino que não larga o brinquedo, em vez de estar mas era lá dentro a curtir umas. Vocês acreditam nisto?

segunda-feira, 1 de março de 2010

negro por negro...

- Até parece ficção, Dolly, voltarmos à ribalta após cinquenta anos, numa coisa moderna a que chamam blogue!
- Podes crer, Mary, é magnífica esta sensação de surf virtual, através do tempo. Mas não me trates por Dolly, por favor, podem confundir-me com uma ovelha, aqui no futuro.
- Está descansada, amiga, apesar de os surfistas serem actualmente um enorme rebanho, é mais fácil confundirem-te com uma cadela!...
- Meu Deus, Mary, que te leva a dizeres uma coisa dessas?
- ... Só uma tipa embriagada é que viria surfar assim vestida, Dolly. Estamos em 2010!...
- Pois... Então, temos de arranjar uma praia onde sairmos sem que ninguém nos veja.
- Vai ser difícil, Dolly. Aqui no futuro já não há praias selvagens. Há é selvagens nas praias...
- Selvagens por selvagens, mais vale irmos para o Havai!
- É melhor não. Parece que vai haver por lá um tsunami.
- A sério?! Então, vamos até à Pérola do Atlântico, comer umas bananinhas!
- À Madeira?! Nem pensar! É um sítio muito dado a tragédias naturais. Não estaremos em segurança, apesar de um tal de Albert John Garden dizer o contrário!
- ... E Portugal Continental?
- Hmmm... Tem uma face oculta que não me cheira...
- Que tal Espanha?
- ... Pode haver etarras a fazer explodir as praias...
- Bem, Mary, sempre pensei que o futuro fosse um bocadinho mais colorido. Negro por negro, é preferível voltarmos para trás...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

mulheres...

Não percebo...
Ultimamente, sempre que me dirijo à minha Mimi com aquele sorriso e lhe digo "Então, Mimi, vamos lá? ^^", ela responde: "Ai, hoje não, Raquel, dói-me a cabeça..". Ao início ainda tolerava, mas uma mulher também não é de ferro, caramba! O que devo fazer?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quem és tu, afinal?

- ´Tá quieto, Areias, deixa-me vestir o fato!
- Não, não vás, por favor, não vás para o mar! Não quero ficar aqui soziiiiiiiinho, tenho meeeeeeedo!
- Deixa-te disso, Areias, Ninguém te faz mal! Ficas ali sentadinho nas dunas e vais mastigando uns chorões, que eu não demoro mais do que 3 horas!
- Desde que viemos para a Península Ibérica, nunca mais tiveste tempo para mim! Essa é que é essa!
- Não sejas melodramático, Areias! É só um bocadinho. Depois, vamos até ao Cabo Carvoeiro comer uns tremocitos e beber um chá de hortelã.
- Que exótico!...
- Tens de te adaptar, Areias. Eu também tive de fazer o mesmo!...
- Adaptar-me, não é?!... Andar com o pelo escovadinho e dormir numa varanda de dois metros quadrados sobre almofadinhas de seda! PA-NE-LEI-RI-CES! Lembras-te de quando cruzávamos sem temor o deserto do Saara e todos os beduínos te respeitavam por seres ousado e possuíres o melhor camelo do Magrebe? Eu era feliz com a minha pelagem cheia de catotas e admirava os teus lábios gretados! Agora, trocas-me por essa cavalgadura de resina e deixas-me plantado nas dunas a comer chorões! Não tens coração nem sentimento de pertença! Não te reconheço! Quem és tu, afinal?
- Escuta, Areias, eu não queria passar o resto da vida a alimentar-me de cobras do deserto e a espremer cactos para matar a sede. Vê se entendes isso!
- Então, decidiste europeizar-te! Vendeste a alma ao diabo, Hassan Mohammad!
- Não exageres, Areias! Ainda sou um muçulmano sunita!
- Tretas, Mohammad, tretas!
- Não me ofendas, Areias! Sabes que falo a verdade!
- Claro, claro... Toda a gente dá conta disso... nos teus cabelos berberes e nos tapetes que vais vendendo...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

second thoughts

Dá realmente que pensar: duas vezes.
Second thoughts: 3 malucos numa ilha deserta na indonésia durante 3 semanas, acampados na selva, altas ondas e tubos daqueles que dão para ir á cozinha buscar bolachas e ainda voltamos a tempo de ver o gajo sair... ah, para não falar da banda sonora animal!
Para alegrar as vossas tardes chuvosas (porque as minhas sessões de estudo foram de certeza melhoradas), longe do nosso cantinho
Beijinhos, PEK

grannis

A iconografia vintage do surf produz em mim um interminável deleite visual.
A imagem que acompanha este texto tem a assinatura do mítico Leroy Grannis, fotógrafo americano que soma actualmente 92 anos de idade e deixou de surfar já depois dos 80 (!).
Uma das características da obra de Grannis é conseguir captar com muita arte e engenho esta estranha forma de vida, que é, sem dúvida, muito mais que um desporto.
No caso vertente, enquanto as ondas de 1964 parecem empurrar preguiçosamente as single fin de então, saltam à vista as belíssimas viaturas que frequentavam, à época, a faixa costeira da Califórnia e que Leroy, então com metade da idade que tem hoje e pulmão de sobra para subir à duna de San Onofre, fixou na objectiva da sua máquina de parar o tempo.
Ali ficaram, estacionadas para sempre perante o nosso olhar curioso, resgatadas da morte e do esquecimento, mesmo que o ciclo da indústria transformadora já as tenha possivelmente convertido em parafusos ou quaisquer outras quinquilharias do mercado global.
A arte é assim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

momentos


Fotografia da minha amiga Ana Knapic

popcorn days

Quando não há surf ao domingo, faz-se outras coisas. Cinema, por exemplo. O “Alvin e os Esquilos” estavam à minha espera numa sala do Centro Colombo. Apesar de ter chegado com meia hora de antecedência, isso não evitou que desse de caras com um autêntico exército em redor das bilheteiras. Ou melhor, supermercado de tiquês. É que, também no nosso país, impecavelmente importador de padrões, a indústria do cinema e a do milho parecem ter contraído matrimónio e serem muito felizes, de há uns tempos para cá.
Como se não bastasse a porcaria do cheiro a fritos americanos, à mistura com o perfume enjoativo das adolescentes e a perspectiva de passar o filme inteiro a dar-me conta do que se passa dentro das bocas dos outros, ainda recebo, mascarado de bilhete (até gostava de os coleccionar antes do mundo global), a porcaria dum talão que não difere em nada daqueles que costumam dispensar-me no talho ou na charcutaria.
Meia hora depois de ter esperado impacientemente a minha vez, numa das quinhentas filas que desembocam num mar de caixas que faz lembrar o Continente, dou comigo a ouvir:
- Para esse filme só há bilhetes para a fila A.
F#&@-$€, pensei. Este gajo faz-me perder meia hora em pé, enquanto abandona insistentemente a porcaria da caixa para ir encher a porcaria dos baldes com a porcaria das pipocas e agora ainda quer que eu mastigue a porcaria do filme em cima do ecrã!
- Olhe, e chouriços vende? – perguntei-lhe.
Ficou a olhar, enquanto me afastei, decididamente, a espezinhar a porcaria das pipocas que o miúdo do lado tinha deixado cair para o chão. O meu, coitado, veio-se embora a chorar pelo Alvin, apesar de não o conhecer de lado nenhum. Apeteceu-me, confesso, os domingos singelos de antigamente, a ver em casa os filmes da Heidi a preto-e-branco e a comer torradas ou salada de frutas.

Foto: Sodahaed.com