segunda-feira, 8 de junho de 2009

crónica eleitoral, com prancha e burrinho

Em dia de eleições para o Parlamento Europeu, a afluência às urnas no Bar da Praia decorreu intensa durante todo o domingo, com os eleitores a terem direito a café grátis, bola de berlim com creme e palito para chiscar os dentes, além de uma senha numerada referente ao sorteio de um fantástico longboard em madeira de balsa e um burro ferrelejo para o transportar (na foto, o feliz contemplado).
A manhã foi aproveitada pelos principais concorrentes para exercerem perante os vários meios de comunicação presentes no local o seu direito de voto.

Fim das prioridades
O primeiro a tomar parte no acto solene foi o doutor Alexandre Catela, cabeça de lista pelo PSD (Partido dos Surfistas Dropinadores), que confessou à redacção do Cantinho da Onda a sua esperança num resultado vitorioso: «Estou confiante no triunfo do meu Partido. Com a minha eleição, procurarei legitimar todos os dropinadores deste país, terminando com essa velha invenção do radicalismo de esquerda que é a lei da prioridade única. Não podemos permitir a autocracia da onda e continuar a assistir a essa sem-vergonhice que é a exclusão do próximo! Viva o drop conjunto! (comigo à frente, claro...)».

Cápsulas milagrosas
Logo de seguida, foi a vez do líder do PS (Partido do Surf), engenheiro Nuno Saraiva. Debaixo duma autêntica chuva de flashes e microfones, o candidato não teve dúvidas em afirmar: «Estou convicto quanto à vitória do Partido do Surf, que é o verdadeiro partido de todos os surfistas. Com a minha eleição, está garantida a democratização deste desporto, com a compra, à Bayer, das cápsulas de fazer surfistas em apenas um dia, evitando o dispêndio de tempo e dinheiro nas escolas da modalidade e proporcionando aos bodyboarders o ambicionado salto evolucional. Por outro lado, garantirei o aumento da idade da reforma da classe surfista para os noventa anos! Uma medida que visa premiar todos os que remam alegremente contra a preguiça!».

Esquerda contemplativa
Quem veio lançar alguma crispação entre os presentes foi o antigo surfista e pescador de baleias Alberto Carvalho. O candidato pelo BE (Bloco das Esquerdas), fez questão em reiterar a medida preservacionista que é bandeira da sua campanha e que tem gerado alguma controvérsia entre os mais directos adversários: «O meu principal objectivo é devolver ao povo uma esquerda de excelência. Por isso, vou restringir o acesso ao pico do Lagide a surfistas locais. Para os bifes e outros visitantes, construirei um genuflexório em frente ao spot para que possam todos contemplá-lo sem o destruir. Esta medida proporcionará a todos os “goofies” a oportunidade de se inspirarem numa esquerda exemplar para, depois, irem brincar nas esquerdinhas dos seus quintais.»

Renovação da rede viária
Estas delcarações incendiariam as hostes mais à direita, levando mesmo o líder do CDS-PP (Centro das Direitas Secretas - Península de Peniche), brigadeiro Sérgio “Isca” Ramalho, a sugerir que «Não há razão para se querer proteger as esquerdas deixando as direitas numa situação claramente discriminatória. Sabemos bem que o senhor Alberto Carvalho visa com essa medida a privatização de um espaço onde poucos, além do seu próprio filho, terão oportunidade de se expressar. Pessoalmente, estou mais preocupado com a renovação da rede viária, nomeadamente com a construção, sobre a superfície dunar, de um trilho especial para circulação em moto4, entre Peniche e o Baleal, que na’ ‘tou pa’ andar a estrafegar nas filas de trânsito, em Julho e Agosto, o Ferrarizinho que o mê pai me deu », disse, já à saída, enquanto cuspia a pastilha elástica e procurava nas algibeiras dos calções a chave do bólide.

Autoclismo e camaleões
Mas o ponto alto deste acto eleitoral ocorreria já ao final da manhã, quando deu entrada no Bar da Praia, sob uma forte ovação, a conhecida ecologista e pioneira do surf em Portugal Teresa Ayala “Té”, cabeça de lista da CDU (Coligação Democrática do Universo): «Estou em condições de vos assegurar a instalação de um autoclismo gigante na ribeira do Molhe Leste e a limpeza diária das praias por políticos, militares e outros desocupados», começou por dizer, enquanto chiscava com o palito de oferta os dentes brilhantes. «No Bar da Praia, será instalada uma família de camaleões para apanhar as moscas que aterram nos bolos das pessoas depois de pousarem no cocó dos cães», acrescentou, rematando, em seguida, com o seu típico sentido prático: «Quem não gostar que se aguente que eu também tenho que me aguentar quando vou à casa de banho e ela está ocupada».

sábado, 6 de junho de 2009

aloha

Aqui vai mais um cheirinho de história surfística

quinta-feira, 4 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

lawrence da arábia

A primeira vez que experimentei na praia um colchão insuflado, o mar resolveu brincar comigo aos náufragos e o mimo do meu pai foi um par de galhetas, para não me armar à Robinson Crusoé.
Durante uns tempos, só tive direito a enfiar na água os tornozelos.
Mas fiquei a ruminar que ele deveria era ter estado lá para segurar o colchão quando veio a corrente, em vez de ter ficado na areia a fazer não sei o quê, para depois me sacudir as moscas quando a coisa não correu bem.
Hoje, quando vou com o meu filho de quatro anos para dentro de água com uma prancha de surf, lembro-me sempre desse episódio e faço questão de estar presente a cem por cento, para lhe inspirar confiança.
Ele, ao invés, prefere que o pai não perca tempo com ensinamentos e fique por ali, de braços cruzados, a constatar a sua precoce autosuficiência.
Foi o que tivemos no último domingo. Enquanto a amiga Ó-i-ó-ai se deixava guiar, ele lá teimou em dispensar a minha ajuda para se embrulhar numa espuminha e depois fugir, zangado com o surf.
Eu lá acordei que se, em vez brincar ao Kelly Slater, queria o tractor, era o tractor que teria, que esse, ao menos, não era preciso ensinarem-lhe a brincar com ele.
E já esquecido do Kelly Slater mostrou os seus dotes de Lawrence da Arábia, metendo um amigo a trabalhar para ele sem grandes ondas: «Ó David, faz-me aí uma garagem para o meu tractor, uma casa grande para eu morar, outra para o Pompeu, uma piscina grande e duas pequenas!».

terça-feira, 2 de junho de 2009

uma bem fresquinha!

O verão 'tá aí e aumentaram as vendas de pranchas

segunda-feira, 1 de junho de 2009

feliz dia da criança!

Queridos companheiros do cantinho, como não poderia deixar de ser, neste dia 1 de Junho, tinha que ser a Pek a escrever ;)

E é como criança que partilho convosco uns versinhos escritos por umas mãos parecidas com estas, embora um pouco mais pequenas, em tempos em que os sonhos pareciam não acabar e a inspiração pulsava, ainda pura. Espero que gostem, e quanto à data... sim, fizeram bem as contas.



Uma vela acesa,
ilumina toda a mesa.
basta apenas soprar,
para a chama se apagar,
chama penetrante,
reflectida,
no meu olhar distante,
que vê a vida,
chama penetrante,
sobre o mar.
No meu sonho distante,
navegar.

Rita Marteleira, 1997

p.s. - quem é a giraça a pôr wax?? ;)

segunda-feira, 25 de maio de 2009

horizontes

São sete da tarde e atinjo a península a cem quilómetros do burburinho onde cumpro as regras da sobrevivência, sem cheiro a sal e sem marulho.
Por fim descalço, com a minha caneta de escrever na água debaixo do braço, percorro um trilho desertificado no meio das dunas. Parece que tenho umas palmilhas gustativas na sola dos pés.
À minha espera, naquele reduto onde morre o Atlântico, estão coisas simples, como os amigos e a liberdade.
A noite reveste-se de grossas nuvens e sou embalado pela chuva intensa, que se vai despenhando no tecto metálico da caravana. A poucos metros da minha cabeça, as vagas, cíclicas, tomam parte daquela orquestra inebriante e o sono resgata-me, serenamente.
O mar de sábado acorda manso. Apontam-se miras para o meio da baía. É lá que moro, sem melhores saídas, à meia maré, debaixo duma chuva intermitente.
À tarde, disputa-se na esplanada o jogo das minis e das pevides.
Às dez, mergulho com o estômago fundo num saboroso ensopado de borrego. A noite poupo-a, fugindo cedo das curvas trágicas do Bar da Praia, que habitualmente me causam ruína.
Domingo floresce. Descubro à porta da “vivenda”, pintado de palavras, um pitoresco hotel alemão. Aponto-lhe o olho do telemóvel.
Acompanhado do meu velho canídeo, cruzo, sem pressa, a praia deserta. Procuro, à força, farejar o surf que não se anuncia. Há quem o vislumbre teimosamente, vestindo sem esperas o fato-de-macaco, como se cumprisse um relógio de ponto.
Engalanado, o sol irrompe. As ondas ficam-se, durante a enchente, por meros gracejos. Mas, mesmo assim, bem melhor que em terra.
Com a segunda-feira no horizonte, em breve estou flat, na estrada de volta.
A tarde espreguiça-se na esplanada.
Observo na água as silhuetas dos surfistas esperando as vagas, que mal se levantam. Recordo o axioma: “Waiting for waves is O.K. Most people spend their lives waiting for nothing”.

domingo, 24 de maio de 2009

sexta-feira, 22 de maio de 2009

esta 'tá muito fixe

Imagina o trabalho para pôr o longboard
e para conseguir ter uma noite bem dormida!
Só para fins-de-semana no Portugal dos Pequeninos!

o puro descontraído

Com as devidas excepções, se há coisa que vinga entre os surfistas das praias urbanas, como os da Linha ou da Caparica, é o sentimento de antipatia em relação ao próximo.
Não te diz bom dia o tipo que chega com uma tábua dentro do carro e estaciona ao teu lado quando estás a vestir-te para ires fazer o mesmo que ele.
Dá-te a volta com ar de fuçanga. Quando remas para o outside, tens o diabo direito a ti, a enterrar um rail à queima-roupa para te lançar no meio dos olhos uma lecada, que é como cuspir-te em cima.
Acabas, pois, por habituar-te, escolhendo uma de duas saídas: seres um puro descontraído ou mais um cão.
Parque automóvel da Caparica, há uns dias atrás:
- Eh pá, então o mar? Dá para fazer umas ou quê?
Sentado ao volante, foi desta forma que se apresentou, com voz despachada e amistoso, enquanto enfiávamos, eu e o Pikas, o neoprene, para um surf-relâmpago em dia de trabalho, no intervalo do almoço.
- Está muito pequeno, mas sempre dá para molhar o fato... – afiançámos-lhe.
Arrumou o carro e puxou da tábua de engomar, de aspecto suis generis, com patilhão e estabilizadores fibrados.
Apesar da idade, que se adivinhava a roçar os entas, lá foi dizendo, num tom de puto bem disposto, que era do Norte.
Surfava Espinho e Cortegaça.
Rumámos à praia, deixanto para trás, ainda a trocar de vestuário, o improvável companheiro.
Depressa o tínhamos pelo pico do Tarquínio, muito interessado em retomar o diálogo, sentado na prancha como se estivesse numa esplanada, matraqueando o que lhe vinha à tola, enquanto os sets não diziam nada.
Que tínhamos de ir surfar no Norte. Que não conhecia as ondas de Peniche. Que isto. Que aquilo.
Elogiaria, após a sessão, o nosso caldo verde.
Trocaríamos, a seu pedido, os números de telefone.
E lá ligou, no dia seguinte, pensando caçar-nos na Caparica a repetir a dose. Mas nicles. Seria melhor pensar num salto até Peniche, onde aterrávamos constantemente aos fins-de-semana.
Soube-o, depois, de regresso ao Norte, na sua vida de marinheiro.
Hoje, coitado, ligou-me de Leça, cascando no mar, que virara piscina:
- Como isto está mau, resolvi perguntar-te se há surf em Peniche!
Lá partilhei que as previsões não eram muito animadoras. Blá, blá, blá e ficou no ar um encontro em breve pelo Cantinho.
O nome dele é Tó.
Um raro e puro descontraído.
Ainda os há, felizmente!...

quarta-feira, 20 de maio de 2009

singularidades de uma rapariga loira - no cinquentenário de gidget

Lisboa crescia no subsolo, com a inauguração do metropolitano. Tinham início as prisões políticas em Angola. Do outro lado do Atlântico, estalava, em força, a Revolução Cubana.
Naquela altura, as ambições das mulheres portuguesas da classe média não iam muito além dum moderno aspirador da Miele, que fazia a diferença entre as cunhadas, nos encontros domingueiros, entre chá e biscoitos.
A 10 de Abril, surgia em terras do Tio Sam uma rapariga loira que arrebataria as salas de cinema com as suas verdes singularidades - aventuras frugais, ao nosso olhar de 1959 muito pouco queirosianas, em redor de ondas e pranchas de surf, numa praia catita da Califórnia, que tinha o nome de Malibu.
A história, singela, relata o verão em que a jovem Gidget, apaixonada pela vida, faz 16 anos e aprende a surfar.
Nada que pudesse, está visto, imaginar-se por cá, onde a faixa costeira balançava, então, entre o postal a preto e branco e o cemitério de pescadores.
Encarnada no filme de Paul Wendkos por Sandra Dee, a rapariga loira que dava o nome à fita tornar-se-ia um ícone da cinematografia de surf e daria origem a uma vasta série de produções co-relacionadas, durante as décadas de 1960, 70 e 80, entre cinema, sitcoms e telefilmes. O último trabalho em redor da história foi a sua adaptação ao teatro, em 2007, na peça homónima de Terry McCabe e Marissa Mckown, representada em Chicago.
Mas tudo começara em 1957, quando o escritor norte-americano de origem checa Frederick Kohner lançou no mercado o livro Gidget, The Little Girl With Big Ideas, que se transformaria num best-seller com traduções transversais, desde a Espanha ao Japão.
A ideia, sabe-se, terá nascido quando Kathy, filha adolescente de Kohner, manifestou ao pai o desejo de registar em livro as suas experiências balneares, tendo por móbil o advento do surf.
A reacção surgiu em forma de proposta: «Conta-me as tuas aventuras e eu escrevo-o». Kathy, já então apelidada de Gidget – nome que deriva, por composição, de girl e midget (pessoa de pequena estatura) -, concordou peremptoriamente, tornando-se, assim, em carne e osso, na musa profícua do autor.
Seria o início duma saga que se prolongaria em mais de meia dúzia de livros, sempre com Gidget no centro da acção.
O fenómeno em que resultou a sua transposição para a grande tela fez de Gidget aquilo a que o escritor de surf Craig Stecyk descreveu um dia como “o mais bem sucedido e rodado episódio sobre a explosão da adolescência desde Joana d’Arc”.
Exagerado ou não, o certo é que o filme transformaria a verdadeira Gidget em “rainha da praia californiana”, assim designada pelo escritor e jornalista Deanne Stillman.
E é preciso destacar de Kathy o apelido Kohner (hoje, Zuckerman), de origem hebraica, o que faz ressaltar da mais famosa surfista americana a sua matriz judaica, com raízes na Checoslováquia.
Como nota Stillman num assomo cirúrgico, "o pai de Kathy vestiu a pele do estrangeiro da Europa Central que se deixou seduzir por aqueles que encontraram a liberdade, neste caso proporcionada pelas suas ondas".
E assim, tão só, nascia um mito. E nascia Gidget como surfista, num altura em que, nas águas cálidas de Malibu, desfilavam já figuras lendárias, como Mickey “Da Cat” Dora, The Fencer, Mysto George e Moondoggie, entre outros.
Para ilustrar a importância de Gidget (a verdadeira), há quem destaque um número especial da revista Surfer onde o seu nome é colocado em sétimo lugar numa lista dos 25 mais importantes surfistas do Século.
No filme, é a famosa Sandra Dee que a imortaliza, actriz que viria, desde cedo, a experimentar uma vida recheada de problemas. Revisitada no filme Grease, de 1978, através da canção Look at Me I’m Sandra Dee, morreria em Fevereiro de 2005, com 62 anos, acometida de complicações renais e pneumonia, num hospital de Los Angeles.
Melhor sorte teria Kathy, que, ainda hoje, com 68 anos, vai, sempre que pode, matando saudades de andar na prancha.
Sobre a história que a celebrizou, confessa a Stillman, desconcertante: “Não compreendo o fenómeno Gidget: Eu era apenas uma rapariga que fazia surf”.
Em 2005, em declarações ao Washington Post, chega mesmo a dizer, com uma agudeza maravilhosa: “Havia quem se refugiasse nos Álcoólicos Anónimos ou na Igreja. Eu tinha Malibu”.
Afinal, talvez fosse essa a suprema singularidade daquela pequena rapariga loira do filme de Wendkos, pouco interessada em expiar na Terra ocultos pecados e mais centrada nos prazeres da vida.
Apesar de tudo, Gidget não teve, da população de surfistas locais, o respeito esperado, em face do efeito magnetizante que a fama gerou na sua onda privada, antes do filme já bem concorrida mas muito mais depois dele.
E noutras esferas ressoaria. Em 1979, a banda californiana de punk-rock Suburban Lawns chegou mesmo a ter um hit que parodiava a personagem: Gidget goes to hell. Em 1995, Fred Reiss publicou o romance Gidget must die: A killer surf novel, visando o lado negro da surf culture.
Mas tudo isto, e ainda o facto de a conhecida surfer girl ver actualmente o seu nome a baptizar uma sanduíche que se vende na Califórnia e uma linha de batons, não retira a Gidget o seu lugar na história.
Nem o seu quê de actualidade.
No fim das contas, cinquenta anos após a estreia da película, o juízo é igual: descobrir o surf é meter os pés na felicidade.
Disso, entre nós, ninguém tem dúvidas!...


Nota: Para quem quiser adquirir o filme e o livro, é possível encontrar o pack por cerca de 18 euros, na Amazon. No caso do livro, e para os puristas, existe à venda no Ebay um exemplar da primeira edição, por uns modestos 350 dólares!...

terça-feira, 19 de maio de 2009

quinta-feira, 14 de maio de 2009

flor das índias

Numa altura em que já começa a fazer-se sentir o cheiro das férias, é muito normal sofrermos de miragens:
Pequenas praias de areia branca e recifes de coral, onde quebram as ondas que só visitamos nas revistas e noutros veículos à distância, que é como cheirar, quando estamos com fome, uma iguaria que nos encontramos impedidos de comer.
Foi justamente para contrariar este sofrimento que o meu amigo e colega de trabalho Paulo Vieira, surfista indefectível de longa data e habitué da Caparica (é por lá que vive), se antecipou aos meses da turba e ganhou asas para as Maldivas, durante dez dias!
- Surfava, das seis às nove da manhã, com água a 28 graus(!), uma onda perfeita, que até cansava! Depois de almoço, voltava lá para dentro mais umas horas... – Revelou-me, vaidoso, com os dentes mais brancos do que nunca a sobressaírem-lhe no meio do rosto acobreado.
- E a digestão?!
- Mas qual digestão! Não há choque térmico, ‘tás à vontade...
Imaginei-me, imediatamente, mergulhado num caldo azul cerúleo, a descer umas boas e a arrotar a lagosta.
Adaaran Hudhuran Fushi é o nome do sítio, uma das maiores ilhas das Maldivas, no atol de Malé Norte.
Para o Paulo, que é goofy, nem foi preciso gastar tempo e dinheiro em surfaris:
- Tinha uma esquerda, na praia em frente, longa e sem crowd, sempre a funcionar. No tempo extra, fazia mergulho e ao fim da tarde bebia umas jolas na esplanada do Surf Bar, a ver as ondas e o pôr-do-sol.
Deve ter sido cá um enjoo...
- Manda-me lá umas fotos, para pôr no blogue!
Não se fez rogado, pois, apesar de até ter quebrado uma prancha ao meio, ter visto tubarões e quase ser mordido por uma tartaruga, vai sempre lembrar para o resto da vida aqueles instantes no paraíso a que o distante Marco Polo chamou um dia de Flor das Índias.

mais umas imagens hilariantes

Afinal, somos homens ou ratos?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

a pedido de várias famílias

dias de verão?

Curtam estas imagens. Não sei porquê mas deixaram-me mais alegre.

terça-feira, 12 de maio de 2009

trânsito

Um dia destes, ia eu a caminho do trabalho, ouvindo, como de costume, na Antena 3, a informação sobre o trânsito:
Segunda circular, trânsito lento; IC19, trânsito interrompido, devido a despiste; trânsito condicionado no Marquês, devido às obras na Baixa...
Depois disto, e dando graças a Deus por não viver na cidade, deparo-me com o trânsito interrompido mesmo à minha frente. Mais parecia uma cena tipo Índia: "Ninguém passa! Vacas Sagradas!".
Mas, aqui, o tráfego não ficou interrompido por muito tempo e, passado dois minutos, lá segui caminho, sem poder atrasar-me para dar ao patrão a desculpa do trânsito complicado.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

vagabundos e outros animais

Três dias, três instantes.
Eu bem vos disse: “Esta é para o blogue!”
Pois, na verdade, tinha rodado cem quilómetros para vos tirar a fotografia, sentados à porta do fim-de-semana, nessa famosa descontracção que é a dos surfistas – grande escória de vagabundos que não faz nada!...
Olhem lá que chatice!
Depois de deitar para trás das costas a capital do cheiro a escape, onde moro ao lado dum milhão de vizinhos que não conheço, ainda me deu tempo de pentear com a Té e o “Marroquino” (David Caetano) umas ondecas no Cantinho - mesmo que sobrassem já os close outs da maré vazia...
Chapa do meio: Adivinhem lá quem é o artista, a querer desmentir, nesta verdinha, o mar centrífugo que se fez sentir no dia de sábado?
Se tiverem dúvidas, é interrogarem o Alberto Carvalho, que se foi enfiar com o seu canhão no meio das dunas a ver se fisgava cachalotes.
Por fim, o momento do meu canídeo, o meu belíssimo e amado canídeo, que tem cem anos (!), a respirar a manhã de domingo à beira-mar, ainda com pica para o jogo do “busca”.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ilha do tesouro

Não sei se alguma vez se imaginaram a descer uma onda com a mesma roupa com que vieram ao mundo.
Eu já.
Confesso, até: imagino-o tanto, que está nos meus planos para anteontem!
Uma aventura que venho adiando por não ter a coragem do mediático nude rider que desata a correr, sempre que lhe dá na gana, com a minhoca aos pulos, nos estádios de futebol ou nas corridas de cavalos.
- Eh pá, depois agarra-se-te o raio do wax à pint€!#€*ra!
- E ficas com os co£#~*s assados!...
Nada disto (o tipo de mimos que é regra ouvir quando falo no assunto) me trava a ideia de vestir a pele do polinésio oitocentista, que já, então, desvendava o gozo de deslizar nas ondas com a sua pura e tranquilíssima nudez.
Há uns tempos atrás, no decorrer duma surfada no meio da Baía, numa tarde sem vento e sol a rodos, comentei com o Pikas e com o Isca este meu fetiche.
E estive mesmo para me desfazer do diabo do fato e meter-me às ondas como um coelho acabado de esfolar!
Mas os sacanas eram meninos para se evadirem, às gargalhadas, pela praia fora, até ao Cantinho, com o meu neoprene...
Uma coisa é certa: tenho a certeza de que esses dois piratas alinhariam comigo se nos apanhássemos na verdadeira Ilha do Tesouro, a tripar com ondas em regime exclusivo e a exercitar, em simultâneo, na companhia das sereias certas, o Kama Sutra.
Digam lá que não era a combinação perfeita?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

surf trip

Próxima surf trip: "Ilha do Tesouro".
Que maior tesouro senão uma ilha com ondas perfeitas?...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

o pessoal dos bitaites

Hoje quero falar para aqueles surfistas valentes que adoram ficar no seco a olhar para o mar e a pôr todo o tipo de defeitos possíveis e imaginários: porque está muito cheia, porque está muito vazia, está mole, está a fechar, está glass, está quebra-côco, tem algas, tem espuma, está frio... Na falta de pica para entrar, tudo serve de desculpa para se ficar de braço cruzado a cuspir insultos.
E porque o mar não tem como se defender, vai afogando os calhaus que lhe mandam. E não tem culpa que nós só consigamos tirar partido dele em condições muito restritas.
Mas como o meu amigo Miguel de Pataias diz: "Zero é melhor que nada". E é verdade! É melhor entrar e não apanhar ondas do que ficar no enxuto. Estar dentro de água já é bom só por si e, se estivermos dispostos a isso, há imensas coisas que podemos apreciar lá dentro. Ok, aceito que não concordem comigo nesta parte, mas eu também não sou surfista... sou só uma pessoa que gosta de estar na água.
Dá-me vontade de rir quando vejo pessoal ao lado das suas viaturas, com todo o material para surfar no carro, a mandar bitaites. Eu chego, preparo-me e preparo a mimi (a minha prancha), entro, estou, saio, e venho apanhá-los no mesmo sítio com a mesma cara encabrunhada.
Por isso, se és daqueles heróis que se gaba de apanhar altas ondas quando o mar está fixe e que põe montes de defeitos no mar quando tem de sair duma surfada a remar, trouxe um recado do Sr. Oceano para ti: és um cabeça de chouriço! E não depende dos dias. É sempre!

Tenho dito.
:)

domingo, 3 de maio de 2009

dia da mãe

Como era cedo para dar flores, fui no quatro-rodas até ao Cantinho ver como paravam as ondas. Como sempre, muita gente na água, mesmo não apresentando as melhores condições. O pessoal sempre presente (o Sérgio, claro) apresentando algumas dores, no vai não vai, até aparecer alguém a empurrar. Depois de esfregar o cabelo algumas vezes e alguém o picar, lá foi vestir a indumentária de gala.
Notava-se a falta da trupe do Cantinho mas, mesmo assim, o nosso Sérgio lá caminhou duna abaixo, coçando as costas como se a noite tivesse tido algo a ver com os bicos de papagaio. Ao longe, já alguém tentava estragar o dia ao Ricardo, não fosse alguém fazer lembrar que, hoje, até não valia a pena estragar as flores.
Máquina apontada mais ao lado e, depois de algumas tentativas, lá clicou e apanhou o Sérgio na sua onda. Fazia-se tarde para os preparativos do Coelho estufado e, cá fora, a Té no dilema habitual: vou, não vou... já fui ontem.
Rumo a casa e quero dizer que o coelho feito pelo Coelho estava muito bom.

Um abraço a todos e um beijo a todas as mães do Mundo!

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Pessoal, não é para fazer pirraça, mas... estou de saída para ir apanhar umas ao Cantinho! hihihi

:P

cinco mil surfadas!

Depois de, no fim de Janeiro, termos registado o primeiro milhar de visitas, não foi preciso esperar muito tempo para atingirmos a marca das cinco mil.
Um número, é claro, que nos congratula, pois um espaço que começou por ser uma singela diversão de um punhado de amigos rapidamente se transformou no incontornável ponto de encontro de muitos daqueles que, por norma, se vinham cruzando exclusivamente na velocidade dos fins-de-semana em redor das ondas do Cantinho, Baleal - Peniche.
Mantendo constante o seu pretexto original, que é o do surf e da amizade, o blogue cresceu. Em gente, em género e em conteúdos. Dos oito nomes que, no início de Janeiro, constituíam o grupo de team riders, passámos a meta da vintena, com destaque para a inclusão de dois elementos femininos (a Pek e a Raquel), que vieram colorir a equipa, e do primeiro estrangeiro, o alemão Daniel, da 58 Surf Camp.
Muitos tardam, porém, em aventurar-se nestas águas. Ficaram-se, outros, pela onda da sessão única. E houve, ainda, os que se arredaram duma certa pica inicial.
Razões terão. Sejam lá quais forem, continuam a tempo de (re)aparecer por aqui. O blogue merecia.
Uma última palavra para o nosso grupo de “seguidores”, que, às mil surfadas, incorporava apenas a Anabloom. O rol cresceu, interessante, para a meia dúzia, com os registos da Flor, da Raquel (entretanto, autora), do Bruce Waynnex e das residentes no outro lado do Atlântico Patrícia Miranda e Carol, a comprovar que algum regionalismo, naturalmente intrínseco, não pesa, afinal, além-fronteiras.
Pela atenção que nos dispensam, a todos eles, bem como aos demais que vão passando por aqui, aquele abraço!
Um brinde ao surf e à amizade!
Ao Cantinho da Onda!

Foto: Craig Baxter

segunda-feira, 27 de abril de 2009

ondas de amor e pureza

Descobri esta bela imagem, da ilustradora brasileira Mariana Massarani, num artigo com o título "Ondas de Amor e Pureza", publicado no blogue Por Dentro das Ondas.
Decidi transferi-la e não adiantar comentários.

Nota: Um agradecimento especial à nossa seguidora Carol, que, por ser, também, seguidora dos blogues Muitos Desenhos e Por Dentro das Ondas, me proporcionou o contacto com a ilustração.

sábado, 25 de abril de 2009

the past

Depois da imagem apocalíptica que nos trouxe o Sérgio (de fazer pensar), lavei os olhos nas três graças balneares deste retrato antigo – quando o surf, nas nossas praias, era tão conhecido como os hambúrgueres.
Puro contraste.
Quase adivinho que, após o ensaio para o belo clichê do tio Gervásio (imagino-o assim), estas longínquas estrelas do mar deverão ter ido pousar nas toalhas os traseirinhos delicados, e sacudir, meticulosas, das pernas níveas, dois grãos de areia.
- Olhe, Fifi, trago na cesta a limonada da mamã e o pão com geleia, de que a priminha tanto gosta.
- Muito obrigada, prima Quicas. Reservo o apetite para depois do banho.
Com o seu bigode à guiador de bicicleta, escoltá-las-ia até às ondas o tio Gervásio. Depois do banho, procurariam vistosas conchas para a tia Josefa, que usava hospedá-las nos canteiros do quintal, ao pé das begónias.
E voltariam, prazenteiras, com as suas toucas tricotadas, para o pão com geleia, rindo do fato de marinheiro às riscas do vizinho Valério, que tinha vindo passear ao sol o reumatismo.
Tornariam a casa no Morris Minor do tio Gervásio, que cheirava a couro e a copper-tone, olhando, nostálgicas, pela janela, o vagaroso passado das ondas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

the future


Já não falta muito para o cantinho da baia ficar assim...

memórias de uma conversa ao fim da tarde no bar da praia que ninguém ouviu

- Eh pá, eu estou a ver bem?
- Que dropinanso!
- É o Greg Noll...
- A dropinar o Dewey Weber!... Nem os amigos lhe escapam!...
- Não digas maldades! O homem tem é miopia...
- Admito. Por isso é que, no outro dia, ele andava a surfar de óculos!
- De óculos?!
- Sim, eu até lhe disse: “Deves ter medo que te entre um cisco pro olho quando vier o set, não?...”
- Já pensaste? Se fôssemos todos míopes, surfávamos todos de óculos...
- Nascia a indústria dos óculos para surfar, com limpa-pára-brisas e tudo!
- O Greg é muito à frente. Até tem um Mp3 à prova de água!
- A sério?!...
- Diz que faz tubos a ouvir o Tony Carreira...
- É sem dúvida um tipo sofisticado. A mim, já me disse que vai comprar uma prancha que dá para surfar em câmara lenta! E com função “rewind”!... Para passar horas a refazer a melhor onda!...
- Olha aí, deixa passar o senhor com o cão.
- Porra! Agora, até os cães entram no bar!
- Antes cães do que gatos.
- Não gostas de gatos?
- Já nem Deus gostava!
- ....?!
- É o único animal doméstico que não vem na Bíblia!...
- Como é que sabes essas coisas?!
- Contou-me o Greg.
- O Greg?! Ele leu a Bíblia?!
- Não! Leu o “Livro das Inutilidades”...
- Eh, eh, eh, eh...
- Foi lá que ele descobriu que o alfabeto do Havai só tem doze letras e que foi o Fernão de Magalhães quem baptizou o Oceano Pacífico.
- Olha aí, deixa passar a senhora com os croquetes.
- Até no bar temos de levar com o crowd...
- Porque é que esta gente não come em casa, que sai muito mai’ barato?!
- É a vista.
- Porra, metam um poster das Maldivas na cozinha...
- Olha aí, deixa passar outra vez a senhora.
- Leva o café na mão... deve ir reclamar... que tem mosca!
- Olha, chegou o entulho. Mais uma escolinha de surf!...
- Antigamente, ninguém precisava delas para aprender a surfar!...
- Pois... os Beatles também não sabiam ler música...
- Aí vem o Greg, com a barriguinha cheia de ondas!
- É... mas vais ver que ainda lhe sobra espaço para o bolo...
- Eh pá, deve ‘tar zangado!... não falou a ninguém! Parece um polícia!...
- É da fome! já só enxerga o tabuleiro dos bolos!...
- Depois diz que ‘tá gordo e que sofre dos gases...
- Vai lá tirar-lhe uma foto para metermos no blogue.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

sonho ou pesadelo?

Como todos se lembram, deu à costa, em 2006, na Baía de Peniche, o casco de um barco que estava a ser rebocado para um estaleiro, a fim de ser finalizada a sua construção.
Já pensaram que, em vez de dar à costa, podia ter-se afundado a alguns metros da praia e ter formado um reef artificial e dar ondas de sonho?
Mas, também, já pensaram uma merda destas dar à costa carregada de crude?!...
Eu pensei. E não estamos, disso, assim tão longe. Passam, todos os dias, ao largo da nossa costa, inúmeros petroleiros. Tivemos, em 2002, o caso do Prestige, cujo derrame só por sorte não nos atingiu.
Uma situação destas era o adeus aos fins-de-semana tal como os conhecemos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Para quando uma surfada em família com o pessoal do Cantinho da Onda? ... ou uma jantarada, vá.
Fica a dica.
:)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

filosofia do pé cagado II, ou: o segredo da ausência do grande Carlitos

A diva americana Bettina Brenna decidiu reunir algumas lendas do surf mundial na sua festa de aniversário, realizada no mês passado em Hermosa Beach, Califórnia.
A conhecida showgirl, que esteve recentemente em Vila Franca de Xira a convite de Carlos de Oliveira para assistir a uma corrida de touros, resolveu retribuir a cortesia do surfista português com um bilhete aéreo para Los Angeles.
Carlos passeava-se airosamente, uns dias depois, com um copo de vermute e uma azeitona no meio dos míticos Mark Richards e Tom Carroll, atraindo a curiosidade da imprensa local, que se concentrou na Surf’s Magic House para cobrir o evento.
Durante cerca de uma semana, Carlitos surfou os principais picos de Santa Mónica, sempre escudado, ante o crowd violento, pela presença gulliveriana de Bettina Brenna, que lhe descascava o pêssego depois das ondas e o transportava com glamour de volta a casa num cabriolet amarelo dos anos sessenta.
Segundo foi possível apurar junto de fonte ligada à família, o transformado "Charles Oliver" terá confessado, por essa altura, em conversa telefónica mantida com a sua mãe, haver encontrado finalmente uma mulher à medida, que, além de ser boa a descascar pêssegos, até cozinhava arroz de lentilhas e lhe passava amorosamente as peúgas a ferro.

Pensou em trazê-la para Portugal, para o ajudar a armar a tenda e acender-lhe o Petromax.
Mas ela nicles.
Pediu-lhe inverso o sacrifício – havia os dólares da passarelle e o show de Vegas, que não fazia questão de largar.
Carlitos cansou-se.
Enfiou no i-pod o Lenny Kravitz e olhou dos céus, assim que pôde, a Península Ibérica.
Sobre a notícia de que se apartara, por amores, do seu Cantinho, alguém o ouviu proferir à chegada, premonitório: «Antes cagar um pé todo!».

Foto (cortesia Los Angeles Magazine): o grande Carlitos de Oliveira e Bettina Brenna, durante um passeio pelas areias de Hermosa Beach, à maré vazia, para o ajudar a fazer a digestão depois de abusar do arroz de lentilhas.

Escuta aqui a música do nosso Carlitos:








happy days

Bom, para me estrear como "bloguista", nada melhor que começar com uma foto que adoro.
Data de 13 de Julho de 2007, dia em que o nosso querido amigo professor David fazia anos (poucos!).
A foto foi tirada depois de uma surfada no Pico da Mota, com umas ondas lindíssimas e o pico reservado para nós. Foi mágico!

As nossas caras não nos deixam mentir. :D

quarta-feira, 15 de abril de 2009

verdadeiras origens

Há pouco tempo, saiu o livro A Historia do Surf em Portugal - As Origens, mas os historiadores não foram às verdadeiras origens do surf, em que o pessoal ainda surfava simples poças de água!
Reparem, na foto, como se surfa um tubo de poça de água.
Na imagem, da esquerda para a direita: Isca, Brasa, Kim, Pikas e Jony (do capacete).

the master

Eheh, nem só de pisar bosta é feita a vida deste nosso amigo.
Gosto desta foto e decidi partilhá-la, em homenagem ao nosso "injecções" desaparecido.
Beijinhos para todos*

segunda-feira, 13 de abril de 2009

filosofia do pé cagado

Era de esperar. O fim-de-semana comprido trouxe a Peniche e ao Baleal uma chusma de gente e um papagueado colorido, com cheiro a Espanhas, Alemanhas e Américas, que fez da nossa Capital da Onda a Capital do Bife (os Algarves que se cuidem!).
Mas a grande nova não precisou de cruzar fronteiras e chegou fresquinha de Vila Franca. Após longa ausência (ainda há-de explicar-se aqui o que lhe deu sumiço), eis que aterrou no nosso Cantinho, como se fosse um OVNI, o mister Carlos de Oliveira, mais conhecido, pelos Oestes, por um sinónimo de “injecções”.
Desembarcou com fé pascal, pois mal colocou o pezinho em terra, provou com a boca do sapato umas amêndoas de cão. Dizem que é sorte. E ele apoiou-se no ditado, pois com o seu espírito à Jerry Lewis, fisgou um pauzinho para percorrer o labirinto da sola enquanto soltava com muito fairplay as suas típicas e alti-sonoras gargalhadas.
O crowd, aposto, matou com gosto saudades dele, pois como é hábito, no meio das ondas, o mister Carlos de Oliveira é o único que se ouve, nem que seja a rir.
Já imaginaram se fôssemos todos como ele?
Não tenho dúvidas: se todos ríssemos do nosso próprio pé cagado, o surf seria, certamente, uma espécie de “rave” da alegria, em vez do recreio de presidiários mal encarados e prontos a comerem-se uns aos outros, que é o que somos, muitas vezes, dentro de água, por esse mundo fora, pelo menos desde que o surf se industrializou.
Boas ondas, amigo!

domingo, 12 de abril de 2009

páscoa

No fim-de-semana da Páscoa, houve quem rezasse a pedir ondas...

terça-feira, 7 de abril de 2009

onda verde

- Não sei se hei-de ir surfar ou...
- Não precisas de dizer mais nada. Entre surfar e fazer outra coisa qualquer, eu escolhia surfar.
Pairava no ar, imaginem bem, o apelo do campo! Se isto é coisa de moer a cabeça a um verdadeiro surfista!
Estavam, até, assim a modos que engraçadas o raio das ondas. Mas não a ponto de convencerem completamente o nosso amigo David Caetano, também conhecido por Jack Kerouac das Dunas.
Meteu-se à boleia e foi para o pinhal.
Lá fui, também, apesar de já ter, àquela hora, enchido a barriga no Bar da Praia com carne de minhoca.
Em poucos minutos, passámos da areia para a caruma. Da maresia para o cheiro a pinho e a carne de porco.
Lá estava, então, o nosso Bakano, verdadeiro Saca dos barbecues, que não precisou de consultar o Jamie Oliver para transformar aquele pedaço do pinhal de Leiria numa cheirosa casa de jantar! O que é que eu vou cozinhar hoje para a malta? – terá pensado, enquanto se vestia ou barbeava, logo de manhã, muito cedo, às onze e meia.
Umas febrazitas, pois ‘tá claro!
E lá foi ele espalhar o cheiro do aftershave entre as velhotas que escolhiam moelas e entrecosto com os olhos franzidos e mordiscavam no preço do chispe, que “está muito caro, porque tudo está caro, desde que eles se lembraram de inventar o êro»...
- Ó tia Maria, deixe lá aviar as febras ao rapaz!
Bem que adivinhavas, ó Kerouac! Estavam bem boas! E, assim comidas, no meio do ar puro e com formigas, até me trouxeram a recordação das aventuras de camionete com os meus avós excursionistas, quando parávamos num parque de merendas a meio caminho da Senhora de Fátima ou das Grutas de Santo António, para um papo-sêco e uma gasosa no meio das moscas e dos cantares tradicionais acompanhados à consertina.
Só tenho pena de, nalquela altura, não existirem telemóveis com máquina fotográfica incorporada, e alguém que dissesse, para mais tarde recordar: «esta é para o blogue».

segunda-feira, 6 de abril de 2009

princípios

Uma imagem vale por mil palavras. Mas esta imagem, associada às palavras, não tem preço. Faz lembrar a célebre frase "Only a surfer knows the feeling".

sexta-feira, 3 de abril de 2009

cantinho do baú - "this is the sea"

Não faltam casos em que a história de uma banda se resume a um simples hit de verão, destinado a morrer como uma pobre pastilha elástica.
Nos anos oitenta, costumava apanhar, no Areeiro, ou na Praça de Espanha, a camionete para a Costa de Caparica com o “bacalhau” a reboque.
O advento da música digital encontrava-se ainda a umas boas milhas de distância, mas a meia hora de viagem entre a Lisboa turbulenta daquela altura e as praias de Almada não deixava de se cumprir com banda sonora a condizer (“...that was the river, this is the sea....").
Ainda conservo o obsoleto walkman da Sony que muitas vezes atravessou comigo a Ponte 25 de Abril, a engolir cassettes que gravava em casa com as minhas bandas favoritas, como era o caso dos The Waterboys.
Posso dar comigo, ainda hoje, a transportar-me facilmente para aquela época desde que escute a voz timbrada do Mike Scott e o álbum épico This is the Sea, de 1985, que é, na minha opinão, uma verdadeira obra-prima.
Quem não se lembra do clássico The Whole of the Moon, autêntico fenómeno que naquele ano caíu no ouvido de muitos jovens adolescentes e jorrou nas pistas de discoteca de todo o país?
Consigo ouvi-lo, à data presente, com o mesmo prazer que nos anos oitenta, bem como todos os restantes temas incluídos no álbum. Pastilha elástica?
Deixo-vos a faixa This is the Sea, incorporada, em 2004, na banda sonora de “Riding Giants” – excelente filme de Stacy Peralta e referência incontornável no documentário de surf e da onda grande, com a participação de figuras lendárias como Greg Noll, Jeff Clark e Laird Hamilton, entre outros.
Perfeita, admita-se, a combinação.
Ora vejam lá se gostam: